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Rendibilidade das empresas portuguesas cai para metade em seis anos

Num espaço de seis anos a rendibilidade das empresas portuguesas caiu para metade, ainda que na primeira metade deste ano tenha recuperado “ligeiramente”, de acordo com os dados do Banco de Portugal. Por outro lado, a pressão financeira aumentou, com a instituição a salientar que o sector da construção gerou um EBITDA que não excede os juros cobrados nos empréstimos concedidos.

Sara Antunes saraantunes@negocios.pt 21 de Outubro de 2013 às 12:00
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O Banco de Portugal publicou uma série de informação estatística sobre o tecido empresarial português, onde é realçado que a “esmagadora maioria” das empresas a operar em território nacional são de pequena ou média dimensão. O activo total das empresas era de 650 mil milhões de euros no final de 2012, mantendo assim o comportamento negativo já verificado em 2011. O valor do activo das empresas aproxima-se do nível verificado em 2006, ano em que este montante não chegou aos 600 mil milhões.

 

Analisar o perfil das empresas nos últimos anos é verificar perdas também nos rendimentos gerados, na rendibilidade dos activos e maiores dificuldades em se financiarem.

 

“Os rendimentos gerados pelas empresas não financeiras têm vindo a diminuir desde 2008 (com excepção de 2010) e, em 2012, atingiram 328 mil milhões de euros”, adianta o relatório do Banco de Portugal.

 

Já quando analisada a rendibilidade, conclui-se que, entre 2006 e 2012, este indicador recuou para metade, passando de 8,1% para 4,1%. O Banco de Portugal sublinha que no segundo trimestre de 2013 verificou-se uma inversão, tendo este indicador melhorado para 4,5%.

 

“Existem, contudo, diferenças assinaláveis entre os vários grupos de empresas: a rendibilidade do activo das empresas privadas é sempre superior à rendibilidade do activo das empresas públicas; ainda assim, devido a uma redução substancial em 2011 e 2012, estes valores aproximaram-se. Todos os sectores de actividade económica contribuem para essa convergência, com excepção da “Electricidade, gás e água”. Este sector e o das “Indústrias” são os que apresentam rendibilidades mais elevadas. A classe das grandes empresas apresenta sempre rendibilidades superiores à das pequenas e médias empresas”, adianta a mesma fonte.

 

A estrutura de financiamento das empresas portuguesas sofreu alterações. Em 2006, o recurso ao capital próprio para se financiar era maior do que o recurso a financiamento externo, com o primeiro a representar 43,2% e o segundo 30,6%. No final de 2012, estas duas formas de financiamento equipararam-se, representando ambas 40%.

 

O relatório do Banco de Portugal acrescenta que entre 2006 e 2012, o custo médio de financiamento das empresas fixou-se entre 5,4%, sendo que este máximo foi atingido em 2008, ano da crise do “subprime” que culminou com a falência do Lehman Brothers e com uma crise no sector financeiro mundial e uma subida expressiva dos juros, e 3,4%, com este mínimo a ser verificado em 2010. “Este valor tem vindo a aumentar num período mais recente”, adianta a mesma fonte.

 

“A pressão financeira sobre as empresas não financeiras em Portugal, deduzida através do rácio EBITDA/juros suportados, é maior em 2012 do que em 2006”, revela a mesma fonte, que explica que no ano passado, o EBITDA cobria 2,9 vezes os juros suportados pelas empresas, o que fica bastante abaixo de 6,1 vezes verificadas em 2006.

 

O Banco de Portugal adianta ainda que “ao longo do período, as empresas públicas foram as que estiveram sujeitas a maior pressão financeira.”

 

Mas o destaque vai para o sector da construção, onde “o EBITDA gerado não excedeu os juros suportados”.

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