Outros sites Cofina
Notícias em Destaque
Notícia

Representante do Estado no Banif: "Função das Finanças não era gerir o banco"

Miguel Barbosa, que representou o Estado na administração do Banif, defende que tinha um papel não executivo no banco, pelo que não liderou processos com Bruxelas. Isso estava a cargo da chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque. 

Bruno Simão/Negócios
  • Assine já 1€/1 mês
  • ...

O Estado não dava ao seu representante na administração do Banif indicações sobre o que deveria ser feito nos planos de reestruturação que tinham de ser apresentados a Bruxelas.

 

"A função do Ministério das Finanças não era gerir o banco", justificou Miguel Artiaga Barbosa, que esteve no conselho da instituição financeira de Outubro de 2014 até à resolução. O responsável está agora a liderar a Oitante, o veículo criado para ficar com os activos que o Santander não quis.

 

A legislação determina que, mesmo com injecção de dinheiro estatal, não há membros executivos em representação do Estado: são sempre não executivos. "Tínhamos um função não executiva e sempre cumprimos as nossas funções nesse princípio. A nossa função não era executar um plano de reestruturação". Essa responsabilidade era da comissão executiva, liderada por Jorge Tomé, e que não contava com representantes do Estado.

 

Miguel Barbosa foi chamado à comissão de inquérito esta terça-feira, 3 de Maio, por ter sido administrador em representação do Estado no Banif de Outubro de 2014 até Dezembro de 2015. A sua audição foi feita em conjunto com Issuf Ahmad, também representante estatal na instituição financeira desde Maio de 2014. O Estado colocou 1,1 mil milhões de euros no arranque de 2013 e ficou com direito de nomear dois representantes nos órgãos sociais.

 

Interlocutor do Estado com Bruxelas era a chefe de gabinete da ministra

 

Entretanto, na audição do representantes do Estado no banco desta quinta-feira ficou claro por que foi chamada a antiga chefe de gabinete de Maria Luís Albuquerque à comissão de inquérito.

 

Segundo confirmou Miguel Barbosa à deputada bloquista Mariana Mortágua, Cristina Sofia Dias (chefe de gabinete do Ministério das Finanças quando a pasta era liderada por Maria Luís Albuquerque) era a interlocutora do Estado nas relações com a Direcção-Geral da Concorrência da Comissão Europeia, o organismo que tinha o dever de aprovar o plano de reestruturação que o Banif tinha de apresentar para compensar o auxílio estatal de 2013.

 

Mariana Mortágua comentou que o interlocutor do Estado, sendo a chefe de gabinete da ministra e não um governante, não tinha poder executivo na negociação com Bruxelas. Miguel Barbosa respondeu que na altura da recapitalização dos bancos portugueses, em 2012 e 2013, também era o chefe de gabinete de Vítor Gaspar que estava como interlocutor dos processos.

Ver comentários
Saber mais Banif Ministério das Finanças Santander Bruxelas Issuf Ahmad Jorge Tomé Maria Luís Albuquerque Vítor Gaspar política serviços financeiros parlamento
Outras Notícias