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Ricardo Cabral: "TAP parece muito mais valiosa" do que a proposta de Efromovich

O professor da Universidade da Madeira acredita que a mais recente oferta de Efromovich pela TAP, que envolve o pagamento de 20 milhões de euros ao Estado, é "muito baixa". Apesar da dívida, a companhia é rentável e o que deve contar é a capacidade de gerar resultados, diz o economista.

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Hugo Paula hugopaula@negocios.pt 10 de Dezembro de 2012 às 15:13
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O professor de Macroeconomia da Universidade da Madeira, Ricardo Cabral, escreveu um artigo em que defende que "a TAP parece muito mais valiosa" do que a avaliação implícita no preço de Germán Efromovich.

A proposta vinculativa apresentada pelo empresário colombiano pela TAP passa por um pagamento de 20 milhões de euros ao Estado português, em troca do controlo da companhia aérea. Um valor mais adequado seriam 700 milhões de euros. Contudo, o empresário deverá atribuir um valor de três mil milhões de euros à companhia portuguesa, diz o académico que conta com cinco anos de experiência em gestão de projectos na Siemens.

O empresário assumiu ainda o compromisso de injectar 300 milhões de euros na companhia aérea de que vai deter o controlo. Montante que coincide com o valor negativo dos capitais próprios. Na companhia aérea, 60% do valor do passivo é justificado pelos contratos de "leasing" associados à frota de aviões.

"Agora toda a gente presume que a TAP está sobre-endividada e preocupa-se com o valor negativo dos capitais próprios", refere o académico que já leccionou a cadeira de Finanças. "Mas as empresas não precisam de valores positivos de capital próprio para funcionarem. Do que precisam é de cash flows positivos", salienta.

Segundo os dados mais recentes que o economista encontrou disponíveis, a TAP teve um EBITDA de 106 milhões de euros no ano de 2011. Um preço determinado com base num múltiplo de 10 vezes o EBITDA de 2011, considerado "modesto" pelo académico, confere um valor de mil milhões de euros ao negócio da TAP. Subtraindo o saldo do capital próprio, o economista chega à avaliação de 700 milhões de euros.

Por outro lado, os resultados da TAP são muito sensíveis a alterações na receita e estrutura de custos. Um aumento de 5% das receitas e igual descida dos custos, atiraria a avaliação da companhia para 3,6 mil milhões de euros, diz o economista.

"Mas, provavelmente, estou a ser muito conservador", diz Cabral. Germán Efromovich, é dono de companhias aéreas e deverá ter "sinergias significativas entre as suas diferentes companhias. Maiores sinergias significam um EBITDA mais alto, o que significa que a TAP deverá ser muito mais valiosa para este empreendedor do que os três mil milhões que eu estimei acima", acrescenta.

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