Empresas Rioforte vai contestar recusa de Luxemburgo à protecção de credores

Rioforte vai contestar recusa de Luxemburgo à protecção de credores

A empresa do Grupo Espírito Santo quer evitar a falência e, nesse sentido, vai recorrer da decisão do tribunal do Luxemburgo. Esta segunda-feira haverá novidades sobre o processo.
Rioforte vai contestar recusa de Luxemburgo à protecção de credores
Diogo Cavaleiro 26 de outubro de 2014 às 17:05

A Rioforte, sociedade que controla os activos não financeiros do Grupo Espírito Santo (GES), vai contestar a recusa do tribunal de Luxemburgo em conceder a gestão controlada ("gestion contrôlée"), que permitiria ficar protegida de acções dos credores.

 

O Expresso avançou sábado passado que a empresa acredita que ainda poderá ser admitida em gestão controlada, mesmo depois da rejeição tornada pública a 17 de Outubro. Para isso, vai contestar a decisão da juíza Anick Wolff, que empurra a empresa para uma insolvência desordenada. A informação não foi desmentida ao Expresso. A Rioforte não fez comentários ao Negócios, remetendo apenas para um comunicado que será publicado esta segunda-feira, 27 de Outubro.

 

A venda da Espírito Santo Saúde à Fidelidade, que rendeu 244 milhões de euros, e a alienação da Espírito Santo Viagens à suíça Springwater, cujo valor da transacção não foi revelado, não foram suficientes para que a Rioforte obtivesse o aval de Luxemburgo para avançar para a gestão controlada.

 

Mas, neste momento, a empresa liderada por João Pena tem novos argumentos para avançar com esta contestação à recusa luxemburguesa. Segundo o Expresso, os credores manifestaram-se junto da administração da Rioforte como apoiando um eventual recurso. Um outro argumento é o exemplo da PT, com a qual a Rioforte tem uma dívida de quase 900 milhões de euros, cuja recusa do Luxemburgo levou a fortes quedas em bolsa.

 

O plano da Rioforte, para entrar em gestão controlada, era a de converter 75% da dívida em capital. A PT passaria a ter 33% dessa empresa.  

 

 

 
O que foi vendido e o que resta 

Vender activos e pagar aos credores. Será esta a missão da Rioforte nos próximos meses, senão mesmo anos, na sequência do processo de insolvência ditado pela justiça do Luxemburgo.

 

ES Saúde e ES Viagens rendem pouco mais de 134 milhões

A venda da participação na Espírito Santo Saúde, numa OPA que resultou num leilão competitivo, foi a operação que, até agora, mais proveitos gerou para a Rioforte. A "holding" arrecadou 134 milhões com esta alienação, dinheiro que está à guarda do Tribunal do Luxemburgo para satisfazer o pagamento de dívidas reclamado por diversos credores. O mesmo aconteceu com o produto da venda da ES Viagens, cujo valor não foi revelado.

 

Hotéis Tivoli podem render 300 milhões

O processo de venda dos Hotéis Tivoli foi iniciado ainda antes de a Rioforte pedir a gestão controlada. Mas a decisão pela insolvência poderá fazer com que o dossiê volte à estaca zero. Em causa está uma operação que poderá render mais de 300 milhões à "holding" do GES.

 

Comporta é dos activos mais cobiçados

A Herdade da Comporta, que já tem um projecto de desenvolvimento turístico e imobiliário definido e em fase de concretização, será um dos activos da Rioforte mais cobiçados. No entanto, a venda deste património pode não ser dos que vai gerar maior encaixe uma vez que a empresa tem passivo associado. O processo ainda não foi lançado.

 

América do Sul concentra vários activos

O Brasil é o país da América do Sul onde a Rioforte tem mais activos. Em causa está uma empresa de gestão de imóveis, a Energias Renováveis do Brasil, além de interesses na indústria agro-indústria e no Grupo Monteiro Aranha. Além disso, a Rioforte tem ainda a Payco, uma empresa agrícola e florestal do Paraguai. Maria João Gago

 

 




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