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Rui Pinto confessa ser o denunciante dos Luanda Leaks

O hacker português, que está em prisão preventiva e acusado de 90 crimes nos “leaks” do futebol, assume ser a fonte da fuga de documentação que visou os negócios de Isabel dos Santos. Advogados voltam a exigir proteção.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 27 de Janeiro de 2020 às 08:37
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Foi mesmo Rui Pinto quem entregou a um consórcio internacional de jornalistas de investigação os mais de 715 mil documentos que ficaram conhecidos como Luanda Leaks, divulgados há uma semana por vários jornais de todo o mundo e que tinham como foco principal os esquemas financeiros que possibilitaram vários negócios da empresária angolana Isabel dos Santos.

 

A confirmação chegou esta segunda-feira, 27 de janeiro, num comunicado assinado por Francisco Teixeira da Mota e William Bourdon, os advogados do "hacker" natural de Vila Nova de Gaia, que está preso preventivamente em Portugal desde março de 2019 e que aguarda julgamento pelo envolvimento no caso Football Leaks, em que está acusado de 93 crimes.

 

"O meu maior receio neste momento é que a administração prisional tente colocar Rui Pinto num estabelecimento de alta segurança, com o pretexto de o proteger, mas efetivamente punindo-o, nomeadamente dificultando o contacto com os seus advogados e penalizando a sua defesa, quando o seu julgamento se aproxima. (…) Não creio que uma decisão deste tipo possa ter uma leitura que não seja uma retaliação ao Rui Pinto", disse Teixeira da Mota, em declarações ao Público. No Twitter, Bourdon também pede proteção para o seu cliente.



O disco rígido contendo toda esta documentação relativa à fortuna de Isabel dos Santos e da sua família foi entregue no final de 2018 à chamada Plataforma para a Proteção de Whistleblowers em África (PPLAAF), por via do advogado William Bourdon, apenas algumas semanas antes da detenção de Rui Pinto na Hungria, a pedido das autoridades portuguesas.

 

No comunicado divulgado esta manhã, os advogados asseguram que o jovem português "entregou este disco rígido, no cumprimento do que entende ser um dever de cidadania, e sem qualquer contrapartida", procurando "ajudar a entender operações complexas conduzidas com a cumplicidade de bancos e juristas que não só empobrecem o povo e o Estado de Angola, mas podem ter prejudicado seriamente os interesses de Portugal".

Na quarta-feira, 22 de janeiro, a Procuradoria-Geral da República angolana anunciou que Isabel dos Santos tinha sido constituída arguida num processo em que é acusada de má gestão e desvio de fundos da companhia petrolífera estatal Sonangol e que visa também portugueses alegadamente facilitadores dos negócios da filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos.

Confrontado com os resultados desta investigação feita por um coletivo de jornalistas, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, respondeu apenas que "o investimento vindo desse país [Angola], como o de todos os países, é bem-vindo, naturalmente, no respeito da legalidade e constitucionalidade".

Na sequência deste caso, o EuroBic já anunciou que a empresária vai abandonar a estrutura acionista, saindo também de forma definitiva do capital da Efacec. Os três membros não executivos do conselho de administração da NOS ligados a Isabel dos Santos anunciaram igualmente a saída da operadora de telecomunicações.

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