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RWE recua na venda da Turbogás devido ao preço

A alemã RWE desistiu, pelo menos para já, de vender os seus 75% na Turbogás, a empresa dona da central de ciclo combinado da Tapada do Outeiro, porque não recebeu propostas atractivas, do ponto de vista financeiro.

Sílvia de Oliveira 13 de Novembro de 2003 às 08:17
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A alemã RWE desistiu, pelo menos para já, de vender os seus 75% na Turbogás, a empresa dona da central de ciclo combinado da Tapada do Outeiro, porque não recebeu propostas atractivas, do ponto de vista financeiro.

Segundo adiantou ao Jornal de Negócios Martina Xabregas, directora de «corporate» da Turbogás, “as propostas entregues ficaram abaixo das expectativas, pelo que, na opinião da RWE, não foi dado o devido valor aos activos em questão”. Por isso, acrescentou, o grupo alemão decidiu suspender a venda dos 75% que detém na Turbogás.

Uma informação confirmada pelo porta-voz da própria RWE: “Não recebemos o dinheiro que pedimos”, sublinhou, em declarações ao Jornal de Negócios. Segundo tem sido referido pela imprensa, o preço dos 75% da RWE na Turbogás deveria rondar os 500 milhões de euros.

Segundo a edição de ontem do jornal espanhol “Expansión”, a RWE decidiu suspender o processo de venda da sua posição na Turbogás, devido a incertezas de ordem regulamentar, impostas pela criação do Mibel, o mercado ibérico de electricidade, cujo arranque está marcado para 20 de Abril de 2004. Estas incertezas, acrescenta o diário, criam dificuldades de avaliação dos activos da Turbogás.

Actualmente, ao abrigo dos contratos de aquisição de energia (CAE), que no âmbito do arranque do Mibel, terão de ser revistos, toda a energia é adquirida pela REN. O mercado ibérico colocará um ponto final nesta situação, já que cada central eléctrica poderá vender a energia produzida livremente no mercado.

Falta de candidatos e direito de preferência da EDP pesam no recuo

Para além das ofertas pouco atractivas, na opinião da RWE, terá pesado também na decisão de recuo, o número reduzido de interessados que formalizaram propostas de compra.

Apesar da espanhola Gas Natural e da italiana Enel terem analisado a operação, as duas empresas acabaram por não formalizar uma proposta. Os alemães da RWE ficaram, assim, limitados a dois candidatos – a Iberdrola e a Tejo Energia. Esta, participada pela International Power, pela Electricité de France (EDF) e pela Endesa, o maior grupo eléctrico espanhol, e pela portuguesa EDP (10%), gere a central do Pego, que detém uma quota de 11% da produção de energia no mercado português.

Fontes citadas pelo “Expansión” acrescentam ainda que o facto de a EDP possuir um direito de preferência na compra dos 75% da RWE na Turbogás, desde que igualasse a melhor oferta, também poderá ter pesado na decisão da dos alemães suspenderem a venda da participação na central da Tapada.

O prazo para exercer essa opção só terminava, todavia, no final do mês. Contactada pelo Jornal de Negócios, fonte oficial da EDP limitou-se a referir que a empresa “ficou surpreendida com a decisão da RWE”.

Fontes contactadas pelo Jornal de Negócios adiantaram, porém, que o recuo da RWE poderá precipitar a decisão de a EDP avaliar a construção de um terceiro grupo na termoeléctrica do Carregado.

Isto porque a “eléctrica” quer aumentar a sua presença na produção. A EDP “jogava em dois tabuleiros” no negócio de venda dos 75% da RWE. Por um lado, surgia como candidato, através da Tejo Energia, e, por outro, poderia, se o entendesse, superar a melhor oferta e exercer o seu direito de preferência.

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