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Ryanair: Dinheiro para a TAP deve ser “distribuído pelas companhias que operam em Portugal”

Michael O’Leary diz que “vai ser muito difícil” a TAP conseguir reembolsar o empréstimo de emergência de até 1.200 milhões de euros que está a ser preparado pelo Estado e contestado pela região norte nos tribunais.

António Larguesa alarguesa@negocios.pt 23 de Junho de 2020 às 09:23
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O presidente da Ryanair diz que "vai ser muito difícil para a TAP conseguir cumprir com as condições do programa" acordado com o Estado, que passam pela devolução do empréstimo de emergência até 1,2 mil milhões de euros em seis meses e a apresentação de um plano de reestruturação.

 

"Já assistimos a esta situação com a Alitalia. Acabam por nunca pagar o empréstimo nem reestruturar devidamente a empresa, pelo que continuam a ser resgatadas pelo Estado", acrescentou Michael O’Leary em declarações ao jornal Público divulgadas esta terça-feira, 23 de junho.

 

Para o gestor do grupo de aviação, que trabalha no setor há mais de três décadas, "o dinheiro que o Governo português vai gastar na TAP seria melhor distribuído pelas várias companhias aéreas que operam em Portugal, em proporção do seu contributo para a conectividade do país".

 

A 10 de junho, a Comissão Europeia deu luz verde para que Portugal avance com este auxílio estatal à TAP, frisando que assume a forma de um empréstimo para providenciar à companhia aérea "os recursos necessários para poder responder às necessidades imediatas em termos de liquidez sem distorcer indevidamente a concorrência no mercado único".

 

No entanto, a Associação Comercial do Porto, liderada por Nuno Botelho, avançou entretanto com uma providência cautelar junto do Supremo Tribunal Administrativo com o objetivo de suspender a injeção prevista no Orçamento suplementar e, ao mesmo tempo, forçar a empresa a negociar e a retomar a atividade a partir do aeroporto Sá Carneiro, em vez de concentrar ainda mais voos em Lisboa.

 

O presidente executivo da TAP, Antonoaldo Neves, vai ser ouvido no Parlamento esta terça-feira, a pedido de dois requerimentos do PSD e PS. Na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação, o gestor vai responder a perguntas sobre o plano de rotas da companhia aérea e também sobre estes novos apoios estatais.

 

Regressam 90% das rotas

 

Já a operação portuguesa da Ryanair, que a nível laboral deverá ser abrangida pelo plano europeu que deverá cortar até 3.000 postos de trabalho e uma redução temporária de 20% para os pilotos com salários mais altos e de 10% para os tripulantes de cabine, vai arrancar a 1 de julho com o restabelecimento de cerca de 120 rotas.

 

Vão ser assim recuperadas mais de 90% das rotas no país e Michael O’Leary espera "voltar aos níveis pré-covid num futuro próximo". "Planeámos operar mais de 400 frequências a partir de 1 de Julho, contras as 650 frequências que tínhamos planeado para o Verão antes da pandemia", calculou ao mesmo jornal o presidente da transportadora "low cost".

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