Telecomunicações Segundo maior accionista da Oi diz que pedir intervenção do Estado é "intelectualmente desonesto"

Segundo maior accionista da Oi diz que pedir intervenção do Estado é "intelectualmente desonesto"

A Oi e um de seus maiores accionistas reagiram à pressão por uma intervenção do governo para tirar a empresa brasileira de telecomunicações da recuperação judicial.
Segundo maior accionista da Oi diz que pedir intervenção do Estado é "intelectualmente desonesto"
Reuters
Bloomberg 03 de abril de 2017 às 19:43

Grupos insatisfeitos com o plano de reestruturação da empresa estão a pressionar o governo a intervir, embora o processo de recuperação judicial esteja a seguir o seu curso e as operações não tenham sido afectadas, afirma Nelson Tanure. O segundo maior accionista da empresa não disse de quem suspeita que esteja a pressionar o governo e a lançar as bases legais para substituir os executivos da Oi se o serviço começar a deteriorar-se.

 

"Está a acontecer um jogo intelectualmente desonesto", disse Tanure numa entrevista concedida no Rio de Janeiro. "A Oi melhorou todos os índices de satisfação de clientes desde que entrou com o pedido de recuperação judicial, mas há um grande lobby em Brasília" para a intervenção, assinalou.

 

Grupos que representam a maioria dos detentores de títulos da Oi rejeitaram a proposta mais recente da empresa para reestruturar a dívida de 19 mil milhões de dólares, afirmando que a oferta ainda favorece fortemente os accionistas. O plano permitiria que os detentores de títulos trocassem as suas dívidas por uma participação que poderia chegar a 38%, muito menos que os 95% propostos por um grupo de detentores de dívida. A Oi precisa de aprovação dos credores e de outras partes interessadas para sair da recuperação judicial e a companhia afirmou estar atenta às opiniões sobre o novo plano.

 

Uma tomada de controlo pelo governo ocorreria em caso de uma deterioração iminente dos serviços de telecomunicações da Oi, disse o secretário de Telecomunicações, André Borges, em entrevista na semana passada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) escolheria um executivo com a experiência apropriada para gerir a Oi, disse ele. "A única preocupação que se tem é a preservação dos serviços", disse Borges.

 

Uma medida provisória que dá ao governo a opção de assumir as operações da Oi será provavelmente publicada nos próximos dias, notiicou o jornal Valor Econômico na sexta-feira. O governo não vai intervir imediatamente na companhia após a publicação da MP, o que dá aos accionistas uma última hipótese de pressionar por um acordo com os credores, afirmou o Valor.

 

Durante a entrevista de Tanure à Bloomberg, na sexta-feira, a Oi divulgou um comunicado afirmando que a administração está "comprometida em garantir a sustentabilidade da companhia e os resultados positivos que tem obtido demonstram a viabilidade da empresa e a sua robustez operacional". A Oi divulgou na semana passada um lucro operacional para o quarto trimestre que superou as estimativas dos analistas e encerrou 2016 com 7,85 mil milhões de reais em caixa.

 

Uma intervenção do governo interromperia as operações e causaria prejuízos para todas as partes envolvidas, disse Tanure.

 

"Os executivos da Oi são extremamente sérios e competentes. São eles que têm de estar à frente da empresa", disse Tanure. Os executivos e o conselho estão em plena harmonia e procuram um acordo com os credores, o que inclui a Anatel, bancos públicos e privados e também detentores de títulos e de créditos menores, como fornecedores.

 

"É parte do nosso compromisso também procurar intensamente e incansavelmente as alternativas possíveis para viabilizar o entendimento, o mais rapidamente possível, entre accionistas e credores", disse o CEO da Oi, Marco Schroeder, em comunicado.




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