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Senadores ouvem Tim Cook e concordam que o sistema de impostos deve ser alterado

O CEO da Apple esteve no Senado norte-americano para esclarecer as dúvidas quanto ao esquema legal de fuga aos impostos que a Apple engendrou através da criação de subsidiárias na Irlanda.

Rita Dias Baltazar rbaltazar@negocios.pt 21 de Maio de 2013 às 21:17
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O presidente executivo da Apple, Tim Cook, foi ouvido esta terça-feira no Senado norte-americano. Na audiência, presidida pelo democrata Carl Levin, estiveram também Phillip Bullock, responsável pela área de impostos da tecnológica, e Peter Oppenheimer, director financeiro da Apple.

 

Os executivos da empresa fundada por Steve Jobs assumiram, no decurso da audiência, que as subsidiárias que a empresa detém na Irlanda são “funcionalmente” controladas nos Estados Unidos, embora não paguem impostos ali. Isto apesar de estas empresas deterem parte da propriedade intelectual da Apple, como admitiram os representantes.

 

Quando questionado sobre a justiça da situação da Apple, em relação a outras empresas - por os rendimentos que obtém fora dos EUA não serem taxados no país - Cook afirmou: “não vejo isso como injusto. Sou uma pessoa justa”. Actualmente, a tecnológica obtém mais de 60% do rendimento fora do país de origem.

 

Apesar disto, a Apple pagou 6 mil milhões de impostos nos EUA, em 2012, sendo um dos maiores contribuintes fiscais do país, lembrou o CEO da companhia.

 

Nesta audiência, Cook apontou os 20% como o valor a adoptar como imposto sobre o rendimento das empresas, quando questionado pela senadora Kelly Ayotte sobre o tema. Para uma taxa de repatriação, o CEO sugeriu “algo muito mais baixo”.

 

Antes de ser questionado pelos senadores, Tim Cook fez um discurso patriótico em que apontou vários benefícios que a actividade da Apple trouxe para os EUA, nomeadamente os 300 mil postos de trabalho gerados pela Apple Store.

 

Cook terá sido convocado para esta audiência não por ter infringido qualquer lei norte-americana, mas porque, como todos os senadores concordaram, o sistema de impostos nos EUA deve ser alterado.

 

No fim da audiência dos executivos da Apple, Carl Levin afirmou: “temos de mudar o sistema, mas antes temos de perceber” o que leva as empresas a tomarem estas decisões.“Não é de negar” que estas situações ocorrem. E acrescentou, que em 2008 e 2009 a Apple tomou “uma decisão unilateral de taxar ou não” o rendimento obtido fora do país.

 

 
Senador Rand Paul “ofendido” com o tom e teor da audiência

O senador Rand Paul mostrou-se ofendido por o Senado estar a “intimidar” uma das empresas de maior sucesso dos EUA. “Francamente estou ofendido com o tom e teor desta audiência".

 

Nas suas intervenções, o senador defendeu as medidas tomadas pela Apple usando exemplos que conseguiram arrancar sorrisos a Tim Cook. “Diga-me um político aqui que não tenta minimizar os seus impostos”, foi uma das frases atiradas por Paul Ryan.

 

“Se alguém deveria estar a ser julgado é o Congresso”, afirmou Ryan que alegou que uma descida dos impostos funcionaria como um estímulo à economia e que poderia evitar este tipo de episódios.

 

 

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