Banca & Finanças Sindicato pergunta ao regulador porque cedeu mais tempo à Apollo na compra da Açoreana

Sindicato pergunta ao regulador porque cedeu mais tempo à Apollo na compra da Açoreana

Se a oferta da Apollo pela Açoreana era válida apenas até 31 de Janeiro, "o regulador tem de explicar" por que motivo não convida a segunda candidata, a Caravela, para a mesa das negociações, defende o SINAPSA.
Sindicato pergunta ao regulador porque cedeu mais tempo à Apollo na compra da Açoreana
Bruno Simão

Um dos sindicatos de profissionais dos seguros, o SINAPSA, quer saber por que o motivo o regulador do sector, liderado por José Almaça (na foto) estendeu o prazo para que os americanos da Apollo possam negociar a compra da Açoreana.

 

"Se a oferta da Apollo era válida apenas até 31 de Janeiro, o regulador tem de explicar por que motivo não avança para a segunda proposta vinculativa, optando por conceder mais tempo a este concorrente à compra da Açoreana Seguros", assinala um comunicado do Sindicato Nacional dos Profissionais de Seguros e Afins emitido esta quarta-feira, 3 de Fevereiro.

 

Tal como deu conta o Negócios na terça-feira, o prazo para as negociações foi prolongado até 7 de Fevereiro, próximo domingo, dado que as contas da seguradora, detida em 52,3% pela Soil SGPS, "holding" dos herdeiros de Horácio Roque, e em 47,7% pela Oitante, veículo público que ficou com os activos que eram do Banif e que o Santander Totta não quis comprar, só foram entregues a 22 de Janeiro e foi concedido mais tempo para analisá-las.

 

Sobre este processo, o sindicato lamenta a postura da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) por não ter respondido aos pedidos de reunião por parte do sindicato. "Não temos conhecimento de ter sido recebido até ao momento qualquer solicitação do SINAPSA para a realização de reunião sobre o assunto Açoreana", responde o regulador quando questionado pelo Negócios.

 

Para o SINAPSA, as "meias verdades" em torno do negócio servem ao actual comprador, a Apollo, dona da Tranquilidade, "já que o seu objectivo é aproveitar a época de saldos". E, por isso, lamenta que não se tenha dado já oportunidade ao segundo comprador, a Caravela. Esta semana, esta última ainda não respondeu aos contactos feitos pelo Negócios.

 

Ao sindicato, e segundo o comunicado, o "Ministério das Finanças manifestou o seu empenho em que o negócio fosse total e, portanto, que incluísse os postos de trabalho. Porém, a Apollo não cessa de lançar informação em sentido contrário". A garantia de Mário Centeno foi dada no Parlamento na sexta-feira passada, quando disse que "a proposta que está a ser negociada [apresentada pela Apollo] não tem prevista nenhuma perda de emprego".

 

Esta tem sido, aliás, a posição defendida pelos vários sindicatos do sector, como o STAS e o SISEP, e a comissão de trabalhadores, pedindo uma venda da Açoreana em que sejam assegurados os 700 postos de trabalho da companhia.

 

A seguradora enfrenta uma delicada situação financeira, razão para a urgência da operação, dado que a intervenção no Banif afectou-a directamente: era uma accionista, pelo que essa posição passou para o veículo que ficou esvaziado de activos e que vai ser liquidado. Além disso, tinha uma parceria com o banco que passou para o Totta, que tem outras companhias parceiras. 




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