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Sonae tem acordos com candidatos à Portucel para sintonia estratégica ou venda da posição (act)

A Sonae não concorreu à privatização da Portucel porque a mesma envolveria o lançamento de uma OPA geral, o que acarretaria custos que a empresa de Belmiro de Azevedo não pretende gastar. O grupo admite acordos com candidatos «credíveis» para sintonia est

Bárbara Leite 25 de Fevereiro de 2004 às 18:39
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A Sonae não concorreu à privatização da Portucel porque a mesma envolveria o lançamento de uma oferta pública de aquisição (OPA) geral, o que acarretaria custos que a empresa de Belmiro de Azevedo não pretende gastar e, porque estaria contrária aos objectivos do Governo. O grupo admite acordos com candidatos «credíveis» para sintonia estratégica ou venda da sua posição de 25%.

Num comunicado ao mercado, a Sonae explica que não teve condições para se apresentar à privatização da Portucel.

Por um lado, evidencia, a necessidade de capital que teria que acarretar, caso ganhasse o bloco de 30% à venda em concurso, no âmbito de uma oferta pública geral, visto que ficaria com mais 33,33% do capital da papeleira.

Por outro, a empresa de Belmiro de Azevedo destaca que uma proposta da Sonae seria contrária aos objectivos do Governo de manter a empresa no mercado de capitais e de não haver um accionista único de controlo.

O grupo salienta ter verificado «que o processo de privatização tem sido conduzido de forma hostil aos seus interesses», uma vez que o candidato vencedor terá o apoio do Estado para desenvolver a estratégia futura para a Portucel.

«A Sonae, sendo o único potencial interessado que há muito tempo manifestou interesse na Portucel, investindo um montante muito significativo no respectivo capital, teria, em caso de sucesso neste concurso, de lançar uma OPA geral, envolvendo recursos financeiros que a Sonae desde sempre assumiu não pretender alocar e contrariando os objectivos definidos pelo Governo de manter a empresa no mercado de capitais e de não haver um accionista único de controlo», revela a companhia em comunicado.

Caso a Sonae concorresse ao concurso e o Estado vendesse a totalidade da participação, oferecendo o valor mínimo previsto, teria que investir 834 milhões de euros. Caso, o Estado apenas alienasse no concurso e mantivesse os restantes 26% no capital do Portucel, a Sonae teria que gastar um total de 545 milhões de euros, segundo os cálculos do Canal de Negócios.

A Sonae não se apresentou ao concurso, mas informa o mercado que estabeleceu acordos «com as entidades credíveis, interessadas em participar no concurso» para se aproximarem, em caso de vitória neste concurso, avança a mesma fonte.

Com o objectivo de «salvaguardar o investimento», a Sonae acordou em «averiguar a possibilidade de sintonia estratégica que permita a coexistência accionista com essa entidade».

Ou, no caso «de tal não seja possível», a Sonae, admite, por outro lado, ter assegurado «condições de protecção do investimento através da execução de cláusulas de saída que igualmente contribuam para a criação de um quadro accionista estável para a Portucel», realça.

A Sonae que detém 25% do capital da Portucel não especifica com que candidatos estabeleceu acordos.

A Cofina, a Semapa, a Mondi, a Domtar e a Lecta foram os concorrentes que apresentaram ofertas à compra de 30% do capital da Portucel no âmbito do novo modelo de privatização.

O grupo de Belmiro de Azevedo lembra que iniciou o seu investimento na Portucel em 1998 e que reafirmou a intenção de «fazer crescer a Portucel, investindo no reforço de vantagens competitivas construídas pelas entidades que hoje a integram, dando continuidade ao crescimento da produção de papel no segmento dos “fines papers” e à integração da cadeia de valor, sem perder de vista a possibilidade de racionalização dos negócios relacionados com a exploração correcta do eucalipto na Península Ibérica e a associação a um parceiro de grande qualidade da América do Sul».

«A Sonae tentou desde sempre evidenciar os benefícios desta proposta», sublinhou em comunicado.

As acções da Sonae encerraram nos 1,01 euros, a subir 3,056%.

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