Empresas Sonangol vai passar a ter comissão executiva

Sonangol vai passar a ter comissão executiva

A petrolífera estatal angolana Sonangol vai passar a ter uma comissão executiva, no âmbito do processo de reajustamento da organização e optimização do sector dos petróleos, que está a ser apoiado pela empresária Isabel dos Santos.
Sonangol vai passar a ter comissão executiva
Simon Dawson/Bloomberg
Lusa 28 de abril de 2016 às 09:56
A decisão consta do comunicado final da reunião ordinária do conselho de ministros realizada na quarta-feira em Luanda sob orientação do Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, e refere que o Governo decidiu alterar o estatuto orgânico da Sociedade Nacional de Combustíveis de Angola (Sonangol), de modo a "dotar aquela empresa estratégica de uma estrutura de gestão alinhada ao modelo de organização ora aprovado".

Nos termos desta alteração, prossegue comunicado governamental a que a Lusa teve hoje acesso, o conselho de administração da Sonangol, liderado por Francisco de Lemos José Maria, "passa a integrar uma Comissão Executiva".

Não foram adiantados nomes para as novas funções agora criadas.

Actualmente, o conselho de administração da Sonangol conta ainda com seis administradores executivos e quatro não executivos, sendo o órgão que toma as decisões em relação à expansão e investimentos a realizar pelo grupo, definindo ainda as metas estratégicas de produtividade, rentabilidade e internacionalização.

Angola é o segundo produtor de petróleo da África subsaariana, com 1,7 milhões de barris de crude por dia, mas a crise na cotação petrolífera atirou as receitas para menos de metade em 2015, com a estatal Sonangol também a ressentir-se no seu desempenho.

Na reunião de quarta-feira, o conselho de ministros aprovou ainda um modelo de reajustamento da organização do sector dos petróleos, definindo "um novo quadro institucional que permita aumentar a sua eficiência e rentabilidade", através da "optimização dos investimentos" e da "sustentabilidade das reservas de petróleo e gás natural" do país.

O comité criado pelo Governo angolano para aumentar a eficiência do sector petrolífero garantiu, a 22 de Março, que o processo não inclui privatizações de investimentos da Sonangol e que Isabel dos Santos integra a equipa pela sua experiência de 15 anos como empresária.

Em comunicado enviado na altura à Lusa, confirmando a presença da empresária angolana nas reuniões entre a administração da Sonangol e consultores internacionais que apoiam a reestruturação, aquele comité estimava a apresentação de uma proposta sobre a eficiência do sector petrolífero angolano em Março.

Em Portugal, a Sonangol tem participações directas e indirectas no Millennium BCP e na Galp, enquanto em Angola tem dezenas empresas do grupo em vários sectores de actividade, fora do petróleo.

O Governo angolano criou o Comité de Avaliação e Análise para o Aumento da Eficiência do Sector Petrolífero com a missão de elaborar um modelo "mais eficiente" para o sector e para melhorar o desempenho da Sonangol. Foi ainda instituída, igualmente por despacho presidencial de Outubro, a comissão de Reajustamento da Organização do Sector dos Petróleos.

A comissão é liderada pelo próprio Presidente da República, José Eduardo dos Santos, e vai decidir sobre as propostas do comité - onde está presente a filha, Isabel dos Santos - para uma "estratégia integrada" e "modelos organizativos eficazes" para "aumentar a eficiência do sector petrolífero nacional".

No comunicado de Janeiro, o comité refere que pretende identificar novas formas de organização "que permitam tornar o sector competitivo e atractivo para os operadores internacionais" e "melhorar a performance da Sonangol".



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