Banca & Finanças S&P revê perspectiva do BES para negativa

S&P revê perspectiva do BES para negativa

A agência de notação financeira reafirmou o "rating" do Banco Espírito Santo, mas cortou o "outlook" devido aos "desenvolvimentos recentes e inesperados" ao nível da gestão e do conselho de administração da entidade ainda liderada por Ricardo Salgado.
S&P revê perspectiva do BES para negativa
Carla Pedro 01 de julho de 2014 às 19:23

A Standard & Poor’s anunciou esta terça-feira que reviu o seu "outlook" do BES e do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI), ambos de "estável" para negativo".

 

Quanto aos "ratings" da dívida de longo prazo do BES e do BESI, a agência manteve-os em 'BB-', o que corresponde ao terceiro nível de "lixo" – categoria especulativa, num patamar em que há riscos em desenvolvimento.

 

"A revisão das perspectivas reflectem a nossa visão de que existem pressões crescentes sobre a situação financeira do BES e sobre o seu negócio", refere o relatório.

 

E prossegue: "No nosso entender, a recente e inesperada demissão do presidente da comissão executiva do BES, bem como de vários dos seus administradores, de par com as alterações propostas ao nível da gestão, no contexto de uma disputa entre os accionistas que controlam o banco, coloca desafios significativos à estabilidade da equipa de gestão do BES e à sua focalização".

 

"Estes desenvolvimentos ocorreram desde que revimos o nosso ‘outlook’ para o BES, de ‘negativo’ para estável’, no passado dia 21 de Maio. (…) Ao mesmo tempo, vimos o ‘rating’ do BES estabilizar, dado que acreditamos que o seu recente aumento de capital veio fortalecer a nossa avaliação ‘moderada’ relativamente ao seu capital e aos lucros", acrescenta o documento, referindo que na altura a S&P não antecipou quaisquer perturbações na estabilidade da gestão do BES ou no seu negócio, mesmo tendo em conta as mudanças previstas na estrutura accionista do banco, incluindo a diluição do Espírito Santo Financial Group (ESFG) e do Espírito Santo International (ESI).

 

"Estamos igualmente convictos de que a divulgação de novas irregularidades contabilísticas no ESI, além das que já tínhamos incorporado no ‘rating’ aquando da nossa revisão a 21 de Maio, vem intensificar os desafios para o negócio do BES, podendo afectar a sua solidez financeira", sublinha o relatório.

 

A S&P refere também que se decidiu por manter o "rating" do BES devido ao seu perfil de crédito, que considera que se mantém inalterado. No entanto, a agência recorda que o "outlook" negativo reflecte, antes de mais, a possibilidade de a notação poder ser cortada.

 

"Em particular, podemos descer a notação do BES se concluirmos que a instabilidade ao nível da equipa de gestão do banco poderá reduzir a sua focalização estratégica na estabilidade do negócio. Além disso, podemos também cortar a classificação do banco se anteciparmos que as debilidades financeiras na holding que controla o BES poderão ter um impacto na estabilidade da actividade do banco ou que poderão enfraquecer a sua situação financeira", realça a agência.

 

No passado dia 26 de Junho, a Moody’s tinha já tomado a mesma decisão, ao colocar o BES "sob revisão" para possível corte de "rating".

 

(notícia em actualização)




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