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Talone diz EDP mantém até ao fim proposta de compra da GDP (act.)

João Talone, presidente executivo da Energias de Portugal (EDP), defendeu hoje que a eléctrica manterá até ao fim a proposta de compra dos activos da Gás de Portugal até porque «nunca tivemos nenhuma notificação formal da Comissão Europeia», sublinhou em

Ana Filipa Rego arego@negocios.pt 06 de Dezembro de 2004 às 20:06
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João Talone, presidente executivo da Energias de Portugal (EDP), defendeu hoje que a eléctrica manterá até ao fim a proposta de compra dos activos da Gás de Portugal até porque «nunca tivemos nenhuma notificação formal da Comissão Europeia», sublinhou em conferência de imprensa.

De acordo com a mesma fonte, quando a administração da EDP for informada da decisão começará a pensar em divulgar alternativas a essa intenção. A decisão final da Comissão Europeia está prevista para 8 ou 9 de Dezembro.

O mesmo responsável explicou que considera terem feito um «esforço significativo no sentido de responder às preocupações da Comissão Europeia sem colocar em causa o equilíbrio da EDP». Talone disse mesmo que «foram flexíveis» e que foram «até ao limite nas cedências efectuadas», esclarecendo que nunca esteve disponível para alguma solução que «pusesse em causa os equilíbrios económico e competitivo» da eléctrica.

Em relação às cedências efectuadas, o presidente executivo da eléctrica afirmou que abdicaram da posse do terminal e da unidade de gás natural liquefeito de Sines e que renunciaram de 30% a 35% de quota do mercado de distribuição do gás natural que seria cedido a um ou mais concorrentes.

Para além disso, explicou que a última proposta «assegurava a garantia de acesso dos outros operadores ao terminal de gás porque a ENI abdicava da reserva de capacidade que tinha nesta infraestrutura, o que implicava deixar disponível à concorrência cerca de 50% da capacidade».

Referiu ainda que garantiam, na proposta final, no gasoduto a capacidade de resposta aos operadores concorrentes que quisessem vender gás natural no mercado português. E «estes concorrentes, no teste de mercado feito pela Comissão Europeia, disseram que estavam disponíveis para entrar no mercado assim que houvesse condições».

João Talone sublinhou também, no que diz respeito ao gás, que «na recta final já não havia divergências com os serviços da Comissão e que o problema foi na electricidade».

Talone considera que proposta final beneficiava os direitos dos consumidores

Este responsável considera que «não podem ser invocados os direitos dos consumidores portugueses para tomar uma decisão» de eventual chumbo, explicando que a sua proposta só beneficia os mesmos, salientando que a eléctrica vai manter «a sua estratégia de oferecer aos clientes quer a electricidade, quer o gás».

Em relação ao Estado, que tem agora 20,5% do capital da eléctrica após o aumento de capital, João Talone, explicou que este «tudo fez no sentido de tornar viável a compra da Gás de Portugal pela EDP» e que a eléctrica «precisa ter uma atitude muito profissional, não deverá ser beneficiada nem prejudicada e deve ter uma relação com o Estado enquanto entidade reguladora e enquanto accionista».

«Tivemos sempre por parte dos titulares da pasta de Economia apoio na defesa das nossas posições e na procura de soluções», explicou Talone acrescentando que «se acontecer algo desfavorável o Estado não é, de todo, o culpado».

Em relação ao eventual chumbo por Bruxelas, o mesmo responsável explicou: «somos accionistas da Galp e se não se verificar a operação de compra depois vamos ver dentro do contexto que se verificar quer em Portugal, quer no exterior». Salientou ainda: «que somos accionistas da Galp não perdemos os nossos direitos sociais».

Quando questionado acerca da sua colaboração com a ENI João Talone explicou que têm «tido uma boa relação com esta empresa, de camaradagem» e que têm «pena que não se torne num negócio concreto», sublinhando que o «nosso futuro com a ENI passa só pela aquisição da Gás de Portugal».

Presidente da EDP diz Plano B «nunca foi referido por nós»

Em relação ao plano B referiu que «nunca foi falado por nós e que não nos compete falar nele», esclarecendo que estiveram «única e exclusivamente concentrados no estudo e no debate da solução que apresentamos em Bruxelas».

Quando interpelado para comentar as declarações de José Sócrates que afirmou que a aquisição do gás e da electricidade numa só empresa era uma medida monopolista, o presidente executiva da EDP explicou: «em conceito, concordo com o líder da oposição apesar de achar que não deve conhecer a proposta a fundo».

O chumbo à proposta da EDP abre um precedente para todas as empresas europeias

Em relação ao eventual chumbo, o presidente da eléctrica explica que «abre um precedente para as restantes empresas europeias», ou seja, impedirá que sejam efectuadas operações semelhantes noutros países europeus, salientando ainda que uma fusão do género franco-belga foi aprovada pela Comissão Europeia.

Apesar de não ter sido notificada formalmente, a administração da EDP criticou hoje o carácter «político» da decisão de Bruxelas. Em comunicado enviado ao mercado, a direcção da EDP defende que «embora possa contribuir para a prossecução do os objectivos políticos da Comissão» a «eventual oposição à transacção não se fará seguramente em benefício dos consumidores portugueses».

A mesma fonte adianta ainda que «independentemente da decisão da Comissão» a mesma «em nada mudará a estratégia de desenvolvimento conjunto dos negócios eléctricos e de gás a nível ibérico».

O comunicado acrescenta que o conteúdo das propostas da Comissão e a consequente proposta final da EDP/Eni «consagra uma clara opção política por parte da Comissão – opõe à prioridade da criação de uma grande mercado único» a «pretensa criação de condições competitivas dentro de cada mercado nacional à custa da fragmentação das empresas desse mercado» e qualquer que seja «a sua dimensão». A direcção da maior eléctrica portuguesa conclui que «este precedente agora criado terá de ser observado no futuro».

A EDP terminou a 2 de Dezembro o processo de aumento de capital no valor de 1,2 mil milhões de euros, que resultou na diminuição da participação do Estado português, de 26,1% para 20,5%. A CajaAstur passa igualmente a ser accionista da EDP, em 5,6%, em virtude da quinta fase de privatização da eléctrica portuguesa.

As acções da EDP [edp] encerraram hoje inalteradas, nos 2,21 euros.

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