Tecnologias Tecnologias desiludem nos Estados Unidos e derrapam em bolsa

Tecnologias desiludem nos Estados Unidos e derrapam em bolsa

O sector tecnológico tem estado em evidência esta semana nos Estados Unidos, com as principais empresas do sector a reportarem os seus resultados trimestrais.
Tecnologias desiludem nos Estados Unidos e derrapam em bolsa
Bloomberg
Carla Pedro 22 de abril de 2016 às 17:07

As contas não têm, na sua generalidade, agradado ao mercado. Resultado: perda de valor em bolsa e, por arrasto, do índice tecnológico Nasdaq. Na sessão desta sexta-feira, o Dow Jones e o S&P 500 cedem ligeiramente terreno, ao passo que no Nasdaq Composite a tendência negativa é mais expressiva, com um recuo de 1,46% para 4.873,55 pontos.

 

Na segunda-feira, 18 de Abril, a IBM (International Business Machine) e a Netflix divulgaram as suas contas e não convenceram o mercado.

 

No caso da IBM, o resultado líquido e o volume de negócios caíram menos do que era projectado pelos analistas. No entanto, após um entusiasmo inicial, a empresa acabou por ser contagiada pelo sentimento negativo que se vive no sector, se bem que menos pressionada do que a maioria dos seus pares. Na sessão de hoje, segue a perder 0,13% para 149,10 dólares.

 

A IBM, com 105 anos, tem estado a passar por grandes transformações sob a liderança de Ginni Rometty, já que a presidente executiva tem tentado pôr de lado parte da sua herança, como o software tradicional e o hardware de manutenção.

 

Com efeito, Rometty tem estado a tomar medidas drásticas para reorganizar as suas actividades, de modo a colocar mais enfoque em novos serviços de "cloud computing" e de sistemas centralizados.

 

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Ainda na segunda-feira, também a Netflix apresentou os seus números. A empresa, que fornece um serviço de "streaming" de televisão, reportou resultados acima do esperado no primeiro trimestre, mas as estimativas de uma debilitação do ritmo de crescimento de novos subscritores não agradaram ao mercado.

 

A empresa liderada por Reed Hastings conquistou 4,51 milhões de clientes a nível internacional, no primeiro trimestre, depois se se expandir para 130 novos mercados entre Janeiro e Março. A Portugal chegou, recorde-se, no passado dia 21 de Outubro.

 

Mas as estimativas para o segundo trimestre penalizaram a empresa em bolsa. A Netflix disse esperar atingir no trimestre em curso 84 milhões de assinantes a nível mundial, ao conquistar dois novos milhões de subscritores - menos do que o antecipado pelo mercado, que tinha a expectativa de ver crescer os clientes em 3,45 milhões.

 

Depois de perder 8,7% no próprio dia de apresentação das contas, na negociação fora do horário regular do mercado nova-iorquino, hoje segue a depreciar-se em 0,48% para 94,52 dólares.

 

Chegados a terça-feira, foi a vez de a Yahoo e a Intel se confessarem ao mercado. E o panorama não foi melhor.

 

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Em relação à Yahoo, a tecnológica liderada por Marissa Mayer registou um volume de negócios acima das expectativas do mercado. Já o lucro por acção ficou em linha com o esperado. Apesar de não serem números fascinantes, nessa noite a cotada seguiu a subir em torno de 1%. Mas agora está sob o efeito analgésico das quedas das suas principais concorrentes e não tem conseguido sair do vermelho, seguindo esta tarde a cair 0,77%.

 

A Yahoo, recorde-se, recebeu na segunda-feira propostas da Verizon, do fundo de capital TPG e da YP Holdings para a compra do seu negócio "core" - que inclui o serviço de email, motor de busca e portal de notícias. O dia 19 de Abril era data-limite para a primeira ronda de ofertas. 

 

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Ainda na terça-feira, a Intel desanimou os investidores em todas as latitudes: além de ter anunciado o corte de 11% da força de trabalho, com a eliminação de 12 mil empregos, ainda apresentou estimativas para o segundo trimestre que ficaram abaixo das projecções do mercado.

 

No primeiro trimestre, a tecnológica liderada por Brian Krzanich anunciou lucros acima das previsões e receitas em linha com o esperado. No entanto, estimou receitas de 13,5 mil milhões de dólares para o segundo trimestre, abaixo dos 14,2 mil milhões de euros projectados pelos analistas.


A empresa revelou que vai alterar o foco para áreas de maior valor, como o fabrico de "chips" para servidores e equipamentos ligados à Internet. A Intel é uma das principais vítimas do declínio das vendas de computadores pessoais, que já vai no quinto ano e representa 60% das receitas da companhia. Com o plano de reestruturação, a Intel estima poupar 750 milhões de dólares por ano.

 

Apesar destes planos, o mercado não lhe deu tréguas. Na sessão de hoje, 22 de Abril, segue a recuar 0,97%.

 

Na quarta-feira, as tecnológicas fizeram uma paragem no reporte de contas, mas ontem regressaram em força, com a Google e a Microsoft a divulgarem os seus números trimestrais – que ficam também aquém do esperado.

 

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A Google (liderada por Sundar Pichai) – e substituída em bolsa pela Alphabet (cujo CEO é Larry Page), que a detém a 100% no âmbito da nova estrutura operacional anunciada no passado dia 10 de Agosto – registou um aumento do resultado líquido e das vendas do primeiro trimestre, mas os resultados foram inferiores às expectativas dos analistas.

 

A justificar estes resultados inferiores ao estimado – reportados no âmbito de uma nova estrutura que separa o motor de busca da Google e as operações de publicidade da área de investimentos mais arriscados – está o abrandamento na área da publicidade. 


Uma vez mais, são estes números que interessam ao mercado. E não agradaram. A Alphabet segue assim também a ceder terreno na negociação do outro lado do Atlântico, a descer 6,31% para 730,81 dólares.

 

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Ainda ontem, também a Microsoft anunciou as suas contas após o fecho da sessão regular da bolsa. Os lucros ficaram abaixo das expectativas, com a aposta na nuvem a revelar-se insuficiente. Resultado: Wall Street não gostou e a tecnológica recuou 4% na negociação fora de horas em Nova Iorque, para 53,18 dólares. Esta sexta-feira segue a afundar 7,37% para 51,67 dólares

 

O travão no crescimento dos serviços na nuvem ("cloud") e a desaceleração no mercado dos computadores pessoais penalizaram os resultados da tecnológica,

 

Os esforços do CEO da Microsoft, Satya Nadella, no sentido de transformar o "core" da empresa, deixando de estar focalizada no mercado dos PC para se concentrar mais no mercado que vende serviços na "cloud" [como é o caso da plataforma de computação Azure e o Office 365 (por subscrição)], têm-se deparado com alguns travões.

 

É que o crescimento dos programas específicos para a nuvem abrandou e não foi suficiente para compensar a contínua queda do mercado dos computadores pessoais. A empresa sediada em Redmond (Estado norte-americano de Washington) está também, recorde-se, a centrar-se no Windows 10 para devolver dinâmica à sua actividade de computação pessoal.

 

As tecnologias seguem, assim, a pressionar o Nasdaq após este conjunto de números decepcionantes [os investidores esperam agora pelas contas do Twitter e Facebook] - uma tendência bem contrária à da banca norte-americana, para a qual se previa uma queda de 20% dos resultados e que tem surpreendido pela positiva. 




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