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Teixeira dos Santos: BES tem de ser "caso isolado" com solução "estritamente privada"

O ex-ministro elenca condições para evitar contágio, elogia intervenção do Banco de Portugal e fala em rever regras do Governo das sociedades para "acautelar" operações como o empréstimo da PT.

Bruno Simão/Negócios
António Larguesa alarguesa@negocios.pt 24 de Julho de 2014 às 16:18
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Fernando Teixeira dos Santos recusou comentar a detenção de Ricardo Salgado, preferindo abordar a crise no Grupo Espírito Santo na perspectiva da estabilidade do sistema financeiro português, pois um problema num banco da periferia do euro, ainda numa fase de rescaldo dos problemas passados, "foi algo que alarmou e assustou".

 

Durante um almoço-debate promovido pelo International Club of Portugal, no Porto, o ex-presidente da CMVM começou por assinalar que "foi muito importante a intervenção do Banco de Portugal em fazer com que os riscos sobre a instituição bancária fossem devidamente delimitados e confinados, e evitar problemas de contágio para o sector financeiro no seu conjunto".

 

O ex-ministro das Finanças, que em 2008 decidiu a nacionalização do BPN, enumerou depois as condições para evitar agora o contágio ou uma crise sistémica com origem na situação do Espírito Santo. E "o primeiro grande desafio que se coloca às autoridades envolvidas é assegurar aos mercados que se trata de um facto isolado", isto é, "de uma instituição que tinha um conjunto de problemas, que atingiram uma magnitude tal que já não era possível resolver os problemas de uma forma discreta e interna".

 

Em segundo lugar, depois de ser "claro que isto é um caso que está devidamente confinado, que não há riscos de contágio", garantir que "a solução do caso é estritamente privada, isto é, que não haverá intervenção de dinheiros públicos".

 

Assegurar que os actuais accionistas e maiores credores "acomodam as perdas" e que haverá também accionistas que "injectarão capital para restaurar a solidez da instituição" são os restantes desafios apontados pelo professor da Faculdade de Economia do Porto.

 

A "lição" da Portugal Telecom 

Teixeira dos Santos acrescentou ainda uma outra "lição", respeitante às regras do chamado governo das sociedades. E não deixou dúvidas por falta de referência explícita: "estou a pensar na situação da PT e da relação da PT com o BES. Tivemos uma empresa importante no quadro empresarial português que fez um empréstimo a um accionista, que corresponde quase a metade do seu valor e é de facto uma operação que pode pôr em risco uma parcela importante do valor da empresa".

 

Muitos interrogam-se como é que são possíveis operações desta natureza. (...) Eu acho que nós também temos que dissipar essas dúvidas e reflectir sobre o quadro de regras do bom governo das sociedades para podermos acautelar melhor isto", concluiu o economista.

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