Banca & Finanças Tesouro só empresta ao Novo Banco se Fundo de Resolução não tiver verba suficiente

Tesouro só empresta ao Novo Banco se Fundo de Resolução não tiver verba suficiente

Há um ano o Executivo antecipava que apenas em 2019 seria necessário uma eventual injecção no Novo Banco, mas o registo de imparidades antecipado pode obrigar a uma entrada de fundos já este ano.
Tesouro só empresta ao Novo Banco se Fundo de Resolução não tiver verba suficiente
Sara Matos
Marta Moitinho Oliveira 17 de fevereiro de 2018 às 16:42

O Governo só avançará com um empréstimo do Tesouro ao Fundo de Resolução se os fundos da instituição não forem suficientes para cobrir as imparidades geradas pelo Novo Banco, sabe o Negócios. Para isso, é preciso primeiro fechar as contas do banco e perceber qual a almofada com que o Fundo de Resolução está a trabalhar.     

O Expresso avança na edição deste sábado que o Estado vai injectar mais capital no Novo Banco, num montante que pode chegar aos 850 milhões de euros.


Ao Negócios uma fonte próxima do processo explica que o montante ainda não está fechado, mas que não deverá chegar aos 850 milhões de euros que foram disponibilizados no Orçamento do Estado para 2018.


Até porque primeiro é preciso perceber quais os fundos disponíveis do Fundo de Resolução e só depois, em caso de necessidade, o Tesouro faz um empréstimo ao Fundo de Resolução. Esta é uma informação essencial para perceber o contributo eventual de cada uma das partes.


Segundo o Expresso, o Novo Banco vai apresentar prejuízos recorde, que podem chegar às várias centenas de milhões de euros e podem mesmo chegar aos milhares de milhões, em resultado do elevado montante de imparidades que o banco se prepara para registar.


No ano passado, quando o Governo ultimava a operação de venda do Novo Banco ao fundo norte-americano Lone Star, antecipava que apenas em 2019 seria preciso, eventualmente, injectar fundos no Novo Banco. No entanto, tal como aconteceu na Caixa Geral de Depósitos, o Novo Banco prepara-se para fazer um registo de imparidades antecipado.


O impacto destas operações no défice e na dívida é ainda indefinido, ficando dependente das decisões do Instituto Nacional de Estatística e do Eurostat. No entanto, esta é uma questão que à partida não preocupa o Governo que vê no caso do registo da recapitalização da CGD um bom sinal de que a operação - a existir - acabará por não prejudicar Portugal na avaliação dos critérios para apuramento de défice excessivo.     




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mais votado Anónimo 18.02.2018

A banca arranja maneira do fundo não ter fundos. É fácil de fazer. Como sempre foi.

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Anónimo 20.02.2018

Fazem-me credor de bancos falidos, à força, e devedor de dívida pública excessiva de um Estado falido, também à força. A liberdade, a cidadania e o dever fiduciário emigraram de vez para fora deste Portugal.

Alentejano 20.02.2018

já se tentou tudo menos deixa-los afogarem-se ... que ideia radical voltar a trazer o risco moral que é uma das bases do capitalismo! depois temos os pcp´s a dizerem que isto é que é o capitalismo quando não é verdade isto é estadismo e cleptocracia pura! deixai-os morrer se a culpa é deles.

Água Ráz 18.02.2018

Era o que eu esperava assim ainda fica o Tesouro a dever ao Novo Banco pois se tivesse esgotado a verba ficava quites ,assim fica o tisoro a dever

joaoaviador 18.02.2018

Vai ser assim nos próximos 15 a 20 anos e, como de costume disfarçadamente, para ver se a malta não vê. Se dissessem a verdade contariam aos portugueses que aquilo que Cavaco, Passos, Maria Luís e o Governador do Banco de Portugal fizeram ao BES (chamaram-lhe resolução e é exemplo único na Europa ), deixando à solta, para nossa vergonha, o principal culpado da desgraça, Ricardo Salgado, custará ao erário público qualquer coisa como 20 a 25 mil milhões de euros, verificando o descalabro assim pela rama. Alguém quer apostar?

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