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Testes reais às emissões dos "diesel"? Europa vai adiar o prazo

Os fabricantes de automóveis deverão conseguir um adiamento na implementação de testes às emissões de gases dos motores "diesel" realizados em condução real.

Bloomberg
Paulo Moutinho 08 de Outubro de 2015 às 10:10
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A Volkswagen enganou as autoridades com um "software" que apresenta valores mais baixos de emissões de gases quando o veículo está a ser alvo de testes. Um escândalo que tem feito subir de tom a discussão sobre a validade dessas medições que são muitas vezes diferentes das obtidas na condução real, mas mesmo assim as fabricantes preparam-se para conseguir um adiamento na introdução de exames mais rigorosos aos "diesel" na Europa.


Segundo o Financial Times, os responsáveis dos ministérios dos transportes dos vários países da União Europeia discutiram em Bruxelas propostas da Comissão Europeia que deverão dar às fabricantes de automóveis até ao final de 2019 para garantirem que os veículos equipados com motores a gasóleo cumprem os limites de emissões de gases poluentes em testes de estrada, não de laboratório.


Estas propostas, que apontam para 2019 (2020 no caso dos novos automóveis a "diesel" com base em modelos já existentes), comparam com o objectivo traçado em 2012 pela Comissão Europeia de que os testes de emissões de gases deveriam estar totalmente implementados, ou seja, passariam a ser obrigatórios até 2017. A legislação para estes testes de estrada foi adoptada em 2007, mas o "lobby" das fabricantes tem vindo a adiar a implementação.


De acordo com o Financial Times, que cita uma das pessoas que teve conhecimento da discussão realizada na terça-feira, em Bruxelas, os representantes de Espanha e Itália foram os que mais apoiaram este adiamento, justificando as suas posiuções com a dureza da medida para as fabricantes de automóveis dos seus países. Espanha tem a Seat, já Itália tem, entre outras, o grupo Fiat.


Os testes de estrada, ou seja, na utilização real dos veículos, têm sido apontados como necessários para apurar efectivamente os níveis de emissão dos veículos. Actualmente, essas análises são falíveis, em parte porque são realizadas em laboratórios, com condições óptimas de utilização dos motores, muitas vezes impossíveis de replicar na estrada. E como mostra o escândalo da VW, os resultados podem ser mais facilmente falseados.

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