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Todos os protagonistas da guerra PT vs. Telefónica, de A a Z

Veja aqui todos os detalhes da oferta da Telefónica sobre a Vivo. A começar no A de Alierta e a acabar no Z de Zeinal Bava, os dois principais protagonistas desta “guerra ibérica.

Negócios negocios@negocios.pt 30 de Junho de 2010 às 10:05
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Alierta, César
65 anos, presidente da Telefónica

É o atacante. Ofereceu 5,7 mil milhões de euros pela posição da PT na Vivo, mais do dobro que ela valia em Bolsa, proposta que subiria para 6,5 mil milhões. Quis propor dividendos extraordinários para persuadir os accionistas da PT. Falou pouco, quase nada. Só em assembleia-geral da Telefónica, em Maio, explicou a oferta que fazia aos seus "amigos" da PT, assegurando que ganharia. Santiago Valbuena foi o seu cavaleiro. Mas a Telefónica fez-se ouvir, em "road shows", contratou assessores, "inundou" o "Financial Times" de publicidade apelando ao voto: "A todos os accionistas da Portugal Telecom", diz o anúncio, "o seu voto é importante. Faça-o. Aceite a oferta da Telefónica. Os seus investimentos podem estar em risco se a oferta não for aceite".

Frase: "A oferta é impecável"



Amélia Morris
Directora do Brandes

A Brandes é o terceiro maior accionista da PT, e pode ser decisiva na contenda. Na OPA da Sonae, alinhou com a PT. Na oferta original de 5,7 mil milhões, a sua directora explicou que o preço era baixo. E não mais se pronunciou.

Frase: "PT e Telefónica deviam discutir mais as componentes individuais da oferta já que poderia conduzir a uma solução benéfica para ambas"



António Mendonça
56 anos Ministro das Obras Públicas

Tutela a PT. Mas esteve ausente do processo, limitando-se a comentários remetendo decisões para depois. Acabou por ser Sócrates a falar depois.

Frase: "O que é importante é que o caso fique no domínio das relações entre as administrações"



António Menezes Cordeiro
56 anos, presidente da Assembleia-geral

É o homem do dia. Tem poder para aceitar ou recusar que a Telefónica vote hoje, o que pode fazer toda a diferença. É um jurista brilhante e sem medo, e que não desdenha os holofotes. Já recusou a proposta de dividendo extraordinário da Telefónica, o que fez um jornal espanhol chamá-lo de "árbitro caseiro". Mas hoje pode ter outros desafios, pois o terreno está minado. Tais como pedidos para adiar a AG. Ou ameaças de impugnação.

Frase: "O presidente da mesa é independente. Independente dos minoritários, dos maioritários, dos governos, das políticas, das administrações."



Carlos Slim
70 anos, presidente da Telmex

O homem mais rico do mundo e arqui-rival da Telefónica chegou a ser alvitrado para aliado da PT (como o foi na OPA da Sonae). Ficou de fora. Mas serão os seus negócios na América Latina que estão a apressar a Telefónica naquele continente. Para não ser ultrapassada.




Carlos Tavares
57 anos, presidente da CMVM

Interveio pouco mas rápida e decisivamente. Quando a Telefónica vendeu 8% da PT, assinando ao mesmo tempo um "equity swap", Zeinal disse que era uma jogada "fora de jogo", convocando o "árbitro": estaria a Telefónica a fazer uma passagem das acções, numa falsa venda, para que os novos detentores pudessem votar a favor da Telefónica? A CMVM decidiu: os votos são imputáveis à Telefónica. E explicitou que o presidente da AG pode usar a informação como lhe aprouver. Ou seja, pode impedir a Telefónica de votar.

Frase: "A Telefónica mantém intacta a exposição aos riscos e benefícios económicos das acções que alienou"



Diogo Leónidas
42 anos, sócio da Garrigues, advogado da PT

Na equipa próxima de Zeinal Bava, é o estratega jurídico de sempre. "Ganhou" na CMVM, quando as acções vendidas pela Telefónica lhe foram imputadas.


Fernando Faria de Oliveira
68 anos, presidente da CGD

Accionista decisivo da PT, a Caixa teve pouco protagonismo até aqui mas foi a primeira a dizer que votaria contra. Não pelo seu presidente, que se limitou a dizer que apoiava a administração, mas pelo primeiro-ministro, que deixou claro que manda na Caixa. E que a mandara votar contra.

Frase: "Como ele [R. Salgado] disse e muito bem, tudo tem o seu preço"



Fernando Teixeira dos Santos
58 anos, ministro das Finanças

Representante da "golden share", começou por dizer que "qualquer que seja a titularidade desta empresa há que salvaguardar que a PT continue a operar em Portugal de forma decisiva", o que foi entendido como abertura à Telefónica para um entendimento. Depois, Sócrates falou por cima dos seus ministros e deixou claro que o Governo não cede.

Frase: "Temos que assegurar que a PT continua a operar em Portugal"



Henrique Granadeiro
66 anos, "chairman" da PT

Reservou-se para o fim, para sublinhar a coesão com Zeinal Bava. Desde o início que se apostava que as diferenças de feitio e de estratégia entre os dois presidentes seriam um problema. Não foram. Um e outro citaram-se várias vezes e sublinharam sempre a total sintonia. Está contra a venda, sem rodeios.
E dispensa a intervenção do Estado.

Frase: "A fronteira não é entre o preço e a honra mas entre o preço e o futuro"



Joaquim Oliveira
63 anos Presidente da Controlinveste


Accionista da PT, pertence ao núcleo duro. Esteve ausente do processo. Mas não neutro: apoia a administração.





Joe Berardo
65 anos, empresário


Tem menos de 2% da PT e nem um décimo do protagonismo que teve na OPA da Sonae. Está endividado, o que lhe tira espaço de contestação e o pressiona a querer dividendos. Não teve pejo, aliás, em pedir "oito ou nove mil milhões".

Frase:
"Não se pode ter o inimigo em casa"



José Luis Zapatero
49 anos Presidente do Governo espanhol

Silêncio absoluto. Chegou a ser escrito que reprovou a hostilidade da Telefónica e que desaprova o negócio, por representar uma saída de capitais numa altura de crise com impacto macro-económico. Sem confirmação.



José Maria Ricciardi
55 anos, presidente do BES Investimento

Foi o autor das acusações mais fortes contra a Telefónica, que repudiou sem rodeios a quem acusou de "pesporrência" e de "arrogância inconcebível". Defendeu sem transigências que a PT não deve vender a Vivo e disse "não ter medo nenhum da Telefónica e dos espanhóis". "A Telefónica não pode esperar amizade de Portugal".

Frase: "Não somos empregados da Telefónica nem de Espanha"



José Sócrates
52 anos, primeiro-ministro

Falou poucas vezes, foi primeiro curto e depois grosso. Em Madrid, foi à sede da Telefónica elogiar a PT ao dizer que a questão era empresarial. Depois, assumiu que o Governo deu orientação à CGD para votar contra a venda da Vivo na AG da PT e quis saber a opinião do PSD, que não lhe deu resposta. Não falou da utilização da "golden share", que deverá ser declarada ilegal por Bruxelas já em Julho.

Frase: "O interesse estratégico do País tem a ver com a dimensão e escala da PT"



Luis Pacheco de Melo
44 anos, administrador financeiro da PT

Braço direito de Zeinal Bava na Comissão Executiva, é o terceiro homem destacado pela administração para falar com a Telefónica neste processo. Quando a S&P ameaçou cortar o "rating" da PT, no que foi interpretado como uma forma de pressão para a venda da Vivo, garantiu a estabilidade da disciplina "financeira, operacional e de custos" da empresa.

Frase: "A PT goza de uma situação financeira sólida"



Luiz Lula da Silva
64 anos, Presidente do Brasil

Veio a Lisboa elogiar a PT por levar a banda larga a todos os brasileiros, mas não se comprometeu. Teve aliás duas reuniões com Sócrates neste período, mas nada transpirou.



Manuel Castelo Branco

Sócio da Cuatrecasas, Gonçalves Pereira, advogado da Telefónica É o advogado da Telefónica em Portugal. Nada disse até aqui, mas tem estado em estreita assessoria com a administração de Alierta. Quando Menezes Cordeiro rejeitou a proposta de dividendo extraordinário, a Telefónica manifestou "total desacordo".



Manuel Rosa da Silva
43 anos Administrador Executivo

Um indefectível de Zeinal, com quem partilha o percurso profissional. Homem de grande confiança do CEO, está a tempo inteiro na estratégia de defesa.



Martins, Abílio
38 anos, administrador da PT Comunicações, responsável máximo da comunicação


Na equipa de Zeinal, é o estratega da comunicação. Dispensa agências de comunicação, mesmo em Espanha e no Brasil.



Miguel Horta e Costa
62 anos, administrador do BESI

Ex-presidente da PT, saiu em sua defesa, repudiando a ofensiva.

Frase: "A Telefónica demonstra um comportamento pizarrista "



Nuno Vasconcelos
46 anos, presidente da Ongoing

Accionista da PT. Criou ambiguidades, ao repetir que estava contra a proposta da Telefónica mas dando abertura a subidas de preço. Diz, desde o início, que está com a administração. A Ongoing, recorde-se, tornou-se conhecida na OPA da Sonae, alinhando com o BES e financiando-se no BCP. É, ao lado de Rafael Mora, administrador da PT.

Frase: "Somos facilitadores de negócios"



Paulo Varela
Presidente executivo da Visabeira

Accionista da PT, de quem é também grande fornecedor, apoia a administração.



Ricardo Salgado
66 anos, presidente do BES

Figura central do núcleo duro da PT. Apoia a administração da PT e assume que a oferta da Telefónica "não reflecte o valor estratégico" da Vivo. Não acredita numa OPA mas defende que, nesse caso, o Governo deve accionar a "golden share". A convivência da PT e da Telefónica na Vivo "não é possível" e "tem de ser arranjada uma solução", disse.

Frase: "Tudo na vida tem um preço"



Roberto Lima
Presidente da Vivo

Anunciou o aumento da rede de banda larga já durante a oferta, o que valorizou a Vivo. Diz-se lisonjeado pela disputa e não toma parte.

Frase: "Se a Vivo fosse uma má empresa ninguém queria"



Salvador da Cunha
Administrador da Lift

Agência de comunicação da Telefónica em Portugal. É o "ouvido" da empresa espanhola em Lisboa.



Santiago Valbuena
Administrador financeiro da Telefónica

Foi o porta-voz da agressividade da Telefónica sobre a PT, sendo considerado o mentor da oferta pela Vivo. Número dois de Alierta, é também administrador da PT. Ameaçou com a hipótese de lançar uma OPA hostil sobre a PT e com "secar" os dividendos do Brasil. Zeinal acusou-o de chantagem, de violar deveres de lealdade e pediu a sua demissão.

Frase: "Uma OPA hostil [sobre a PT] não pode ser descartada"



Zeinal Bava
44 anos, CEO da PT

É o defensor. Está contra a venda da Vivo, assumiu a frente de batalha, fez "road shows", conseguiu fazer subir o preço, acusou a Telefónica de "traição", pediu a demissão de Valbuena, falou de chantagens e desarmadilhou ataques como dividendos extraordinários, ameaças de "secagem" no Brasil e "falsas vendas" de acções pela Telefónica. Ganhou grande protagonismo internacional com a operação.

Frase: "Vender a Vivo significaria amputar o futuro da PT"








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