Banca & Finanças Totta não se vai opor ao pedido do Novo Banco mas quer saber destino da quantia

Totta não se vai opor ao pedido do Novo Banco mas quer saber destino da quantia

O CEO do Santander Totta assume que o banco não vai tomar nenhuma ação contra o pedido de mais de mil milhões feito pelo Novo Banco, no âmbito do fundo de Resolução, para o qual o Totta vai ter de dar a sua contribuição.
Totta não se vai opor ao pedido do Novo Banco mas quer saber destino da quantia
Lusa
Ana Batalha Oliveira 12 de março de 2019 às 17:36

O CEO do Santander, Pedro Castro Almeida, critica o ruído que se tem gerado à volta do pedido do Novo Banco, que veio requerer mais 1,15 milhões ao Fundo de Resolução que lhe serve de garantia desde a venda ao Lone Star – quantia para a qual as instituições financeiras, nas quais se inclui o Santander, vão contribuir. A única questão que defende que deve ser clarificada é o destino dado a essa quantia.

"A questão que deve ser analisada é não tanto como é que estes créditos inicialmente foram dados mas qual é o destino deste dinheiro", disse o CEO do Santander, à margem do evento de inauguração do novo espaço do banco, o Work Café. O presidente executivo defendeu que "não podemos, cada vez que é requisitado mais dinheiro, levantar este broá".

O Santander sublinha que é necessário "ter a certeza" que a gestão do dinheiro em causa "está a ser bem feita" e ressalva: "não há nada que me leve a crer até à data que assim não o é".

Questionado acerca de uma possível ação, a par com as restantes instituições do setor que são afetadas pela medida, Castro Almeida rejeita. "Se tivéssemos tomado essa decisão, já a teríamos tomado. A nossa posição foi não fazer nada", remata, para depois acrescentar: "Já me queixei. Não me vou queixar agora mais". Isto, apesar de reconhecer que se sente prejudicado "desde o início", mas não hoje em particular, após o pedido do Novo Banco.

Em relação ao possível impacto da ativação da garantia na imagem do setor bancário português, Castro Almeida desvalorizou, dizendo acreditar que "lá fora não chegam 99% destas notícias". Lamentou ainda as questões de perceção "antigas", numa altura em que diz que está a ser feito um "trabalho importante" no setor.

O Novo Banco, após revelar os prejuízos de 2018, pediu 1,15 mil milhões de euros ao Fundo de Resolução, superando os 850 milhões que estavam previstos no Orçamento do Estado – uma quantia comparticipada pelas instituições financeiras, que integram o fundo. No ano anterior, Fundo já tinha entregado 792 milhões de euros para cobrir necessidades nos ativos do Novo Banco integrados no Mecanismo de Capitalização Contingente.

De acordo com o jornal Público, as instituições bancárias já começaram a questionar os montantes pedidos pelo Novo Banco ao Fundo de Resolução, pois este mecanismo só deveria ser acionado em casos pontuais e extremos e a generalidade dos bancos está a registar melhorias, ao contrário do reportado pelo Novo Banco.

Na apresentação de contas, o banco nascido da resolução do BES revelou um prejuízo de 1,41 mil milhões de euros no ano passado e reviu em alta perdas de 2017 para 2,3 mil milhões de euros, mais mil milhões do que o divulgado anteriormente.




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