Banca & Finanças Tranquilidade, a seguradora que começou no Porto a proteger contra fogos

Tranquilidade, a seguradora que começou no Porto a proteger contra fogos

É na Avenida da Liberdade, em Lisboa, que se situa a sede da dona da Logo ou da T Vida. Uma empresa que tem as origens no Porto. Até aqui, a propriedade era dos Espírito Santo. Em breve, passará para a gestora Apollo.
Tranquilidade, a seguradora que começou no Porto a proteger contra fogos
Sofia A. Henriques/Negócios
Diogo Cavaleiro 22 de agosto de 2014 às 13:39

Companhia de Seguros Tranquilidade. Assim se chama a empresa seguradora que, durante décadas, esteve sob a propriedade da família portuguesa Espírito Santo e que está prestes a passar para mãos norte-americanas. Avenida da Liberdade, 242, Lisboa, é a sede.

 

Nem sempre foi assim. 'Companhia de Seguros Tranquilidade Portuense – Companhia de Seguros contra Fogo' era a denominação com que surgiu a 22 de Agosto de 1871. No Porto.

 

A protecção contra incêndios, naqueles finais do século XIX, foi a primeira incursão da empresa nos seguros. Depois, passou a haver a aposta no segmento marítimo. Mais de 100 anos depois, a Companhia de Seguros Tranquilidade (que ganhou o nome que ainda emprega em 1935) oferece um leque de maior dimensão nos seguros.

 

A Tranquilidade tem serviços do ramo não vida, como seguros automóveis ou habitação. A T Vida fica-se pelos serviços do ramo vida. Também há o BES Seguros (vendido aos balcões do BES, agora Novo Banco) e a Logo, exclusiva de linhas telefónicas ou internet. A Advancecare, gestora de serviços de saúde, também consta da linha de serviços prestados pela empresa cujo presidente da comissão executiva é Pedro Brito e Cunha.


Brito e Cunha pertence aos Espírito Santo (é primo de Ricardo Salgado), a

 
143 anos de história 
'Companhia de Seguros Tranquilidade Portuense – Companhia de Seguros contra Fogo'. Foi com este nome que a Tranquilidade nasceu a 22 de Agosto de 1871 no Porto.
Em 1918, José Ribeiro Espírito Santo Silva – que também se envolveu na constituição do Banco Espírito Santo – deu-lhe dimensão nacional.
Em 1975 foi nacionalizada. Voltou para a família Espírito Santo no início da década de 90. 
Com a derrocada do Grupo Espírito Santo, está prestes a passar para as mãoes dos norte-americanos da Apollo.

família que deu dimensão nacional à Tranquilidade. Entrando como accionista de referência da seguradora portuguesa, em 1918, José Ribeiro Espírito Santo Silva – que também se envolveu na constituição do Banco Espírito Santo – deu-lhe dimensão nacional. Foi o gestor que subscreveu o contrato para ser agente de várias regiões do País, abaixo do Mondego, onde ainda não estava presente.

 

Dimensão nacional

 

Estavam assim lançadas as bases para a seguradora poder vir a ser a segunda maior do ramo não vida em Portugal, atrás da Fidelidade, que pertencia à Caixa Geral de Depósitos e está agora nas mãos dos chineses da Fosun. Em 2013, os serviços da Tranquilidade geraram um resultado líquido (lucro) de 19 milhões de euros, um valor 3,1% superior ao registado no ano anterior. E, apesar da descida da quota de mercado para 8,3%, conseguiu manter a posição na classificação geral. Os activos ascendem a mil milhões de euros, o passivo a 642 milhões, diz o relatório e contas.

 

A empresa, cujo presidente do conselho de administração é Rui Leão Martinho, não esteve sempre nas mãos dos Espírito Santo. Tal como o BES, também foi nacionalizada em 1975, na sequência das movimentações políticas do pós-25 de Abril de 1974. No início dos anos 90, e mais uma vez como o banco, voltou à iniciativa privada pela mão dos seus antigos proprietários: os Espírito Santo.

 

Ficou na posse da família durante mais de 20 anos. E, apesar de afastada do Banco Espírito Santo no que diz respeito à estrutura accionista (a seguradora é totalmente detida desde 2000 pela Partran, do Grupo Espírito Santo, enquanto o banco estava cotado em bolsa), sempre manteve fortes ligações com a instituição financeira então liderada por Ricardo Salgado. Com a venda dos BES Seguros aos balcões do banco.

 

Em 2014, a propriedade da Tranquilidade está prestes a mudar. A empresa foi dada como garantia pelo Espírito Santo Financial Group de um crédito do BES Uma garantia que não foi cumprida. E será executada. Pelo Novo Banco, que herdou os activos considerados bons do BES. É assim que a empresa passará para as mãos da Apollo, por 50 milhões de euros (sem dívida).

 

Os norte-americanos ficarão com 35 lojas próprias da Tranquilidade, que contam com 380 agentes exclusivos e 1.400 agentes independentes. E também com uma presença internacional. A companhia seguradora tem presença em Espanha, Angola, Moçambique, parcerias em Cabo Verde e participações na Europ Assistance no Brasil, Chile e Argentina.


Para 2014, segundo o relatório e contas relativo às contas do ano passado, um dos objectivos era "consolidar as operações internacionais em Espanha, Angola e Moçambique, capitalizando as competências, know-how e vantagens comparativas da Tranquilidade e do Grupo BES". A última parte, que envolve o Grupo BES, já não irá acontecer na segunda metade do ano.




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