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Tranquilidade emprestou 150 milhões ao GES porque "era muito difícil de recusar"

A comissão executiva da seguradora não decidiu em conjunto os investimentos que abriram um buraco nas contas. O presidente Brito e Cunha decidiu-as porque era "difícil de recusar" ao accionista.

Miguel Baltazar/Negócios
Diogo Cavaleiro diogocavaleiro@negocios.pt 11 de Fevereiro de 2015 às 18:46
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"É um pedido do accionista que é muito difícil de recusar". Foi assim que Peter Brito e Cunha, que presidiu à Tranquilidade até à sua venda, em Janeiro deste ano, justificou o financiamento global de 150 milhões de euros feito ao seu accionista, o Grupo Espírito Santo. Um investimento que nunca foi reembolsado e abriu um buraco na empresa.

 

"Não há grandes hipóteses àquilo que é pedido" pelo accionista, defendeu-se Brito e Cunha em resposta ao deputado comunista Paulo Sá na audição desta quarta-feira, 11 de Fevereiro, na comissão parlamentar de inquérito à gestão do BES e do GES. A Tranquilidade pertencia à ESFG, sociedade do grupo de quem o responsável também era administrador não executivo.

 

"Não eram ordens, havia explicações, havia razões. Não era necessariamente só ele [Ricardo Salgado] que transmitia, Mas as coisas eram explicadas e havia razões", continuou o gestor, agora reformado. 

 

A Tranquilidade emprestou cerca de 150 milhões de euros ao GES, em quatro empréstimos. Foram colocados 85 milhões em papel comercial da Esfil, 50 milhões em papel comercial da ESFG e 15 milhões de um financiamento à tesouraria da ESF (Portugal). Isto em Maio e Junho de 2014, quando as empresas do grupo estavam já perto de entrar em bancarrota. Na altura, já eram noticiadas "irregularidades" nas contas da ESI, a empresa de topo de todo o universo Espírito Santo.

 

Esses empréstimos, que Peter Brito e Cunha justificou por não se prever a falência do GES, foram decididos sem reuniões da comissão executiva. "Não houve nenhuma comissão executiva nas decisões tomadas, razão pela qual teve a ver muito com o facto da urgência dessas mesmas operações terem sido feitas", disse. Contudo, explicou que os administradores sabiam do mesmo 

 

"Nunca houve reunião da comissão executiva para discutir estes investimentos", havia dito já em resposta centrista Teresa Anjinho. "Eu é que decidi avançar para a frente e dei autorização para a área financeira para fazerem essas operações".

 

"Fi-lo com sentido de total confiança no accionista e sem pensar nunca que ia haver possibilidade de não reembolso", explicou Peter Brito e Cunha.

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