Banca & Finanças Transferência de activos do ex-Banif foi feita com "critério de arbitrariedade enormíssimo"

Transferência de activos do ex-Banif foi feita com "critério de arbitrariedade enormíssimo"

Havia avaliações feitas pela consultora que trabalhava o dossiê Banif que partiam de estimativas inferiores àquelas que foram aplicadas na constituição da Oitante. 
Transferência de activos do ex-Banif foi feita com "critério de arbitrariedade enormíssimo"
Bruno Simão/Negócios
Diogo Cavaleiro 07 de abril de 2016 às 22:34

A transferência dos activos do Banif que o Santander Totta não quis para o veículo Oitante foi feita com base num "critério de arbitrariedade enormíssimo", segundo o governante que tutela a pasta das Finanças em Portugal.

 

A qualificação desta transferência por Mário Centeno foi feita na sequência de uma pergunta da deputada do BE, na comissão de inquérito ao Banif, sobre o desconto de 66% aplicada aos activos passados para o veículo de gestão de activos herdeiro do banco fundado por Horácio Roque.

 

Segundo o próprio ministro das Finanças, "havia avaliações feitas pela [consultora] Oliver Wyman que tinha uma depreciação da qualidade dos activos bastante diferente desta dos 66%". Ou seja, o valor real na transferência era de apenas 33% do seu valor contabilístico. 

 

Ao longo das várias audições da comissão de inquérito, tem sido difícil procurar a legislação que obrigou a aplicar este montante nos descontos dos activos transferidos. A decisão de qual o desconto que seria aplicado foi tomada pela Direcção-Geral da Concorrência, frisou o ministro em resposta ao deputado comunista Miguel Tiago. 

 

"Não foi um valor que resultasse de uma análise económica dos activos em causa", explicou Mário Centeno, adiantando que foi um valor que era o valor observador no mercado "para adquirir activos que têm qualidade bastante baixo". Mas, disse o ministro das Finanças ao deputado do PCP Miguel Tiago, "não havia evidência do lado da Direcção-Geral da Concorrência que esse era o caso do Banif".

 

O desconto acabou por fazer subir o custo imediato na resolução do Banif para 2.255 milhões de euros, muito para compensar desvalorizações dos activos. 

 

De qualquer forma, Centeno admite que o facto de terem sido tão desvalorizados estes activos (como imóveis e créditos malparados) pode facilitar a sua recuperação. O antigo presidente executivo do Banif defendeu já que esta depreciação dos activos vai gerar ganhos ao Fundo de Resolução, que é o accionista único da Oitante.




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