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Ulrich: Estado ganha 85 milhões de euros com empréstimo ao BPI

O presidente do BPI, Fernando Ulrich, disse hoje no Parlamento que o Estado ganhará 85 milhões de euros em 2012 e 2013 com o empréstimo obrigacionista que concedeu ao banco para este se recapitalizar.

CaixaBI espera queda de 3,6% nos lucros do BPI
Negócios 05 de Fevereiro de 2013 às 17:18
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Fernando Ulrich está hoje a ser ouvido na Comissão parlamentar de Orçamento e Finanças, que está a levar a cabo várias audições sobre as recapitalizações públicas que recentemente foram feitas nos bancos portugueses com vista a estes atingirem as metas de capital exigidas pelos reguladores.

 

Ao BPI, o Estado concedeu em Junho de 2012 um empréstimo obrigacionista de 1.500 milhões de euros, através da subscrição de obrigações convertíveis em capital, as chamadas 'CoCo bonds'.

 

Na intervenção inicial, o banqueiro fez as contas ao ganho para o estado do empréstimo feito ao banco, tendo em conta o valor a que este se financia junto da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu), a uma taxa de juro média de 3,4%, e o valor a que empresta o dinheiro à instituição financeira, com uma taxa inicial de 8,5% (que sobe com a passagem dos anos).

 

Tendo em conta a diferença de 5,1 pontos percentuais, Ulrich disse que "entre 29 de Junho e 31 de Dezembro de 2012 o Estado português ganhou cerca de 33 milhões de euros". Além disso, referiu, em 2013 o "Estado ganhará cerca de 52 milhões de euros".

Já para os próximos anos, o ganho do Estado "dependerá do valor que estiver em dívida" do capital emprestado ao BPI, disse.

 

Dos 1.500 milhões de euros que o Estado emprestou ao BPI em agosto, para o banco atingir um rácio de capital 'core tier 1' (uma das medidas de avaliar a solvabilidade de um banco) de 9%, de acordo com as regras da Autoridade Bancária Europeia (EBA, em inglês), 200 milhões de euros foram reembolsados ainda no verão após um aumento de capital dirigido a privados.

 

Em Dezembro, o BPI devolveu mais 100 milhões de euros ao Estado e, já em Janeiro, pediu autorização ao Banco de Portugal e ao Ministério das Finanças para devolver mais 200 milhões de euros antecipadamente.

 

"Logo que a autorização seja concedida, o banco procederá a este reembolso e montante em divida será reduzido de 1.200 para 1.000 milhões de euros. Chegaremos a algures ao primeiro trimestre de 2013 na situação de ter reembolsado já 300 milhões de euros quando se previa que o primeiro reembolso (de 150 milhões) só devia ter lugar em Setembro de 2013. Estamos adiantados quanto ao calendário que nos propusemos", disse Fernando Ulrich.

 

Já em resposta aos deputados, Fernando Ulrich referiu que, uma vez que o banco não pode pagar dividendos enquanto estiver com investimento público, os accionistas estão "empenhados em que essa limitação desapareça".

 

"Há uma grande conjugação de esforços entre quem trabalha no banco e os accionistas para conseguir reembolsar o mais rápido possível" o Estado, afirmou.

 

Ainda na intervenção inicial, o presidente do BPI frisou que a necessidade de capital público no BPI se deveu à "alteração das regras" que o banco tinha de respeitar, sobretudo pela EBA, que passou a exigir uma almofada de capital para fazer face a perdas com a dívida soberana detida.

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