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Covid-19 carrega nos prejuízos da Sonae Capital

A empresa controlada pela família Azevedo, que teve prejuízos de 5,4 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, avisa que o impacto da pandemia “será mais severo” nos resultados do segundo trimestre.

17.º Miguel Gil Mata, Sonae Capital / 0,30%
Miguel Gil Mata, CEO da Sonae Capital. DR
Rui Neves ruineves@negocios.pt 13 de Maio de 2020 às 21:07
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Com alguns dos seus negócios com um elevado grau de exposição aos efeitos económicos da pandemia de covid-19, como são os casos dos ginásios, hotelaria e imobiliário, a Sonae Capital fechou o primeiro trimestre deste ano com um prejuízo de 5,4 milhões de euros, contra um resultado negativo de 5,1 milhões registado no mesmo período do ano passado.

"No contexto do portefólio de negócios da Sonae Capital, o nosso segmento de energia não foi sujeito a impactos materiais decorrente da pandemia covid-19, mas noutros segmentos, nomeadamente engenharia industrial e activos imobiliários, já se fez sentir um abrandamento nos níveis de actividade, enquanto que os restantes segmentos, como ‘fitness’, hotelaria e Tróia Operações, viram as suas operações suspensas a partir de meados de março", destaca Miguel Gil Mata, CEO da empresa, esta quarta-feira, 13 de maio, na mensagem de abertura do comunicado enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Como tal, conclui, "os resultados que hoje anunciamos encontram-se parcialmente impactados pela pandemia covid-19", alertando que, "no segundo trimestre, o impacto será mais severo por abarcar meses de encerramento completo destas unidades".

Olhando para o retrovisor, os dois primeiros meses do ano até "decorreram de forma bastante favorável na generalidade dos segmentos", com Mata a assinalar a evolução positiva do EBIT das unidades de negócio, "com um crescimento de 66% face ao período homólogo de 2019".

 

O volume de negócios consolidado triplicou para 101,9 milhões de euros, um desempenho que traduz, principalmente, o contributo do negócio de "trading" e comercialização de energia, decorrente da integração da Futura Energía Inversiones.

 

O EBITDA consolidado, de aproximadamente quatro milhões de euros, esteve em linha com o registado há um ano.

 

Ao nível da solidez financeira, "fruto das operações de refinanciamento que têm vindo a ser efectuadas", a empresa apresenta "’cash’ e linhas disponíveis no montante de 72,5 milhões de euros", contribuindo assim "para o aumento da resiliência" do seu balanço, "o que, no contexto actual, permite encarar os próximos meses com confiança e a continuar a perseguir os objectivos estratégicos do grupo", considera o CEO da Sonae Capital.

Energia "dá gás" à faturação do grupo, hotéis e "fitness" metem "baixa"

 

O volume de negócios da Sonae Capital disparou graças à sua unidade de energia, em resultado da integração da Futura Energía Inversiones, que consolida desde 1 de agosto passado.

O segmento de energia registou uma facturação de 80,5 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, mais do que quintuplicando face aos 14 milhões do período homólogo, e o EBITDA cresceu 6,2%, para 3,8 milhões.

O investimento neste negócio, no primeiro trimestre deste ano, ascendeu a 3,6 milhões de euros, sendo de destacar o investimento na nova central termoeléctrica de cogeração alimentada a biomassa florestal, cujo "arranque se encontra programado para o segundo semestre de 2020", sinaliza o grupo.

No segmento de "fitness", que conta com 37 ginásios (21 Solinca, 15 Pump e 1 One), a faturação aumentou 6,2%, para 10,7 milhões de euros, impulsionado por um crescimento homólogo de 17,8% do número de sócios ativos para 105 mil, mas as contas do trimestre acabaram por ser manchadas pela covid-19, que obrigou, em março, ao fecho temporário de todos os clubes "e consequente perda de receitas associadas às mensalidades dos sócios".

Na área de hotelaria, a mesma história: o negócio até estava a crescer nos primeiros dois meses do ano, mas o confinamento imposto pela pandemia, que determinou o fecho das suas seis unidades a partir de 15 de março, determinou uma queda de 23,8% da facturação homóloga para 2,3 milhões de euros.

Adira em grande até março, mal em abril e maio

 

No negócio de engenharia industrial, leia-se a empresa Adira, o volume de negócios no trimestre situou-se em 2,8 milhões de euros, mais 8% do que há um ano, e com o número de encomendas a evoluir "favoravelmente", mas, com a chegada da covid-19, "a mesma sofreu uma desaceleração a partir de março de 2020, o que se traduzirá num abrandamento significativo da actividade durante os meses de abril e maio", alerta a Sonae Capital.

 

De resto, o grupo volta a lembrar, no comunicado enviado à CMVM, que a Adira assinou um contrato com a Mitsubishi para o fornecimento, em exclusividade, de máquinas quinadoras e guilhotinas nos mercados dos Estados Unidos, Canadá e México.

 

"Em velocidade de cruzeiro, este contrato garantirá um incremento significativo no número de máquinas produzidas. Ao mesmo tempo, é de realçar que este contrato surge como alavanca de entrada nestes mercados, onde a penetração da Adira até hoje era pouco expressiva", sublinha o grupo que é controlado maioritariamente pela Efanor, "holding" da família Azevedo.


Ativos imobiliários avaliados em mais de 300 milhões de euros

 

No Troia Resort, em virtude da suspensão de uma parte das carreiras da Atlantic Ferries e do encerramento temporário, em meados de março, dos restantes serviços do resort, com excepção do Meu Super e da marina, volume de negócios das operações em Tróia totalizou 1,6 milhões de euros no primeiro trimestre de 2020, o que traduz uma quebra homóloga de 1,7%.

 

Na unidade de ativos imobiliários da Sonae Capital, que no final de março passado estavam avaliados em 318,3 milhões de euros, destaque para o Troia Resort, segmento que inclui de 546 unidades turísticas residenciais já desenvolvidas e lotes para construção na Península de Tróia.

 

Neste segmento, por conta do Troia Resort, faturou 2,4 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, dos quais dois milhões resultantes da realização de quatro escrituras de unidades turísticas residenciais, e os restantes 400 mil euros por conta de rendas relativas à exploração dos activos detidos.

 

"Adicionalmente, à data deste relatório, encontram-se em stock sete contratos de promessa de compra e venda e reservas, no montante total de 3,8 milhões de euro", reporta a Sonae Capital.

 

Com esta nota: "Tal como todos os contratos promessa de compra e venda", o relativo "à Unidade Operacional 3 (UNOP 3), assinado no segundo trimestre de 2018, no valor de 20 milhões de euros, não se encontra, ainda, incluído nos resultados."

 

Já a unidade de "outros ativos imobiliários" faturou 3,1 milhões de euros entre janeiro e março de 2020, mais do que duplicando as vendas realizados no mesmo período do ano passado.

 

"Este valor inclui a remuneração dos activos sob exploração e, ainda, o valor de escrituras realizadas, no montante global de 1,8 milhões", destacando-se a escritura do complexo da Casa da Ribeira, no valor de 1,5 milhões.

 

A Sonae Capital avança que, neste segmento de negócio, existe ainda contratos promessa de compra e venda sobre um conjunto de ativos, no montante de 14 milhões de euros, nomeadamente o Country Club da Maia (por oito milhões de euros), o loteamento Costa D’Oiro (4,8 milhões de euros) e a Quinta da Malata (1,4 milhões de euros).

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