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Cristina Portugal: “O setor energético vive um dos seus momentos mais desafiantes”

No quadro da transição energética, Portugal pode “até ambicionar a ser exportador” em determinadas circunstâncias, disse ao Negócios a presidente da ERSE numa entrevista por escrito no âmbito do Dia Mundial da Energia.

Miguel Baltazar/Negócios
Sara Ribeiro sararibeiro@negocios.pt 29 de Maio de 2020 às 00:03
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A presidente da Entidade Reguladora para os Serviços Energéticos (ERSE), Cristina Portugal, não tem dúvidas de que o principal desafio do setor está relacionado com a descarbonização. E, no quadro da neutralidade carbónica, acredita que Portugal vai ficar "muito bem posicionado junto dos lideres dessa transição", disse ao Negócios em respostas por escrito no âmbito do Dia Mundial da Energia que se celebra esta sexta-feira, 29 de maio.

Atualmente, quais são os principais desafios do setor da energia em Portugal? 
O setor energético vive um dos seus momentos mais desafiantes. De uma sociedade com uma economia baseada nos combustíveis fósseis pretende-se, em poucas décadas, alcançar para uma economia neutra em carbono. Este objetivo tem consequências que perpassam todos os setores da sociedade e é particularmente impactante no setor energético.


A opção estratégica, assumida por Portugal e pela União Europeia, de desenvolver uma sociedade com balanço neutro em carbono até 2050 permite estabelecer uma linha de orientação clara para o futuro do setor energético português e europeu, que garanta a estabilidade e a previsibilidade necessárias para a atração do investimento necessário e o envolvimento imprescindível dos cidadãos e consumidores.

Neste quadro, o principal desafio é o de assegurar que a Descarbonização, a Descentralização e a Digitalização que se aproximam velozmente e irão moldar o futuro do setor energético, sejam concretizadas duma forma inclusiva, ponderada, eliminando riscos de exclusão. Esse equilíbrio é um dos aspetos fundamentais que orientam a atuação da regulação.

No que respeita à transição energética, como avalia o trabalho que tem sido feiro pelo setor? Portugal já podia estar mais avançado neste campo?

Portugal beneficia deste novo quadro que está em linha com as orientações que foram moldando a evolução do setor energético português ao longo das últimas décadas. A diferença é que a evolução tecnológica permite, pela primeira vez, a perspetiva de que Portugal possa deixar de ser um país fortemente dependente da importação de energia e, em determinadas circunstâncias, poderá até ambicionar a ser exportador. Portugal apresenta níveis de qualificação que beneficiaram do desenvolvimento e conhecimento em setores que irão ser chave para a concretização da transição energética, o que o deixa muito bem posicionado junto dos lideres dessa transição.

A atual crise sanitária veio reforçar a importância da energia enquanto serviço essencial para a sociedade. No entanto, Portugal continua a ser dos países com os custos de eletricidade mais caros. O que está a ser feito, e o que considera que é essencial fazer, para alterar esta tendência?

Os preços de eletricidade e de gás natural têm observado reduções nos últimos anos. De acordo com a informação publicada pelo Eurostat Portugal melhorou o seu posicionamento relativo quando comparado com os restantes países da União Europeia. A informação do segundo semestre de 2019, divulgada pelo Eurostat no início de maio, revela que Portugal registou a terceira maior descida de preços de eletricidade, para os consumidores domésticos.  [E durante o mesmo período de análise] Portugal apresentava, preços inferiores aos preços de Espanha e da Área do Euro, quer para os consumidores domésticos, quer para os consumidores industriais.

 

 

 

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