Energia Défice tarifário do sector eléctrico derrapa 200 milhões

Défice tarifário do sector eléctrico derrapa 200 milhões

EDP revela que a dívida tarifária deste ano deverá ser maior que a inicialmente prevista
Miguel Prado 29 de julho de 2013 às 00:01

A dívida tarifária do sector eléctrico nacional está a ter uma derrapagem face às previsões do início do ano. Segundo as estimativas reveladas pela EDP na apresentação dos resultados do primeiro semestre, o défice tarifário gerado em 2013 deverá ultrapassar os 700 milhões de euros, bem acima dos 500 milhões que o grupo previa em Maio.

No final de 2012, a EDP contabilizava uma dívida tarifária no sistema eléctrico português de cerca de 4 mil milhões de euros. Em Março de 2013, essa dívida ascendia a 4,3 mil milhões. E, nessa altura, a EDP estimava que Portugal terminasse 2013 com uma dívida tarifária em torno dos 4,5 mil milhões de euros. Contudo, os resultados do primeiro semestre mostraram que o défice tarifário de Janeiro a Junho rondou os 440 milhões de euros, aproximando-se do montante previsto para a totalidade do ano.

O administrador financeiro da EDP, Nuno Alves, indicou na sexta-feira, em conferência com analistas, que o novo défice tarifário criado em Portugal em 2013 deverá situar-se à volta dos 700 milhões de euros, em vez dos 500 milhões antes perspectivados.

A geração de novo défice tarifário era algo de que a EDP já estava à espera, dado que a estratégia do Governo para o sector eléctrico prevê uma subida da dívida tarifária da electricidade até 2015. A surpresa, no segundo trimestre do ano, foi a magnitude do crescimento dessa dívida tarifária.

Para a derrapagem contribuíram vários factores. Por um lado, o "volume anormalmente elevado de energia eólica e mini-hídrica", gerando um sobrecusto (face aos preços grossistas da electricidade) acima do previsto nos pressupostos da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE).

Por outro lado, estava previsto descontar nos custos do sistema eléctrico até Junho uma verba de 111 milhões de euros oriunda da venda pelo Estado de créditos de carbono, mas tal não aconteceu.

Houve ainda um terceiro efeito de agravamento do défice tarifário, que tem a ver com o facto de a ERSE ter previsto uma subida do consumo de energia de 1,7%, mas ele na verdade ter caído quase 3%.

Estes três factores provocaram um défice tarifário de 580 milhões de euros até Junho. Esse valor foi parcialmente mitigado por uma poupança de mais de 140 milhões de euros nas aquisições de electricidade da EDP em mercado, poupança essa resultante do facto de o preço da "pool" ibérica ter sido inferior ao previsto pela ERSE, graças à abundância de energia eólica e hídrica. Descontando esse efeito, o défice tarifário efectivamente criado até Junho situou-se nos 440 milhões de euros.

Para a EDP, no entanto, o montante de dívida tarifária a receber é distinto, já que do "stock" acumulado uma parte já foi titularizada pelo grupo. O montante de "recebíveis regulados", como a EDP os designa, passou de 2,2 mil milhões de euros em Dezembro de 2012 para 2,3 mil milhões em Junho de 2013. Este aumento foi mais "suave" do que o agravamento da dívida tarifária total dos sistema eléctrico português porque, essencialmente, a EDP realizou operações de titularização (alienação a terceiros) que cobriram, em valor, a maior parte da subida da dívida tarifária da electricidade em Portugal.

Uma das missões actuais da administração da EDP é proceder a todas as titularizações de dívida tarifária que sejam necessárias para cobrir o agravamento dessa dívida, garantindo que o "stock" de que a EDP é credora não aumenta.

 

 

DÍVIDA TARIFÁRIA ELÉCTRICA CRESCE MAIS QUE O PREVISTO 

A PREVISÃO INICIAL

Em Maio último, a EDP previa que em 2013 o défice tarifário gerado no conjunto do ano rondasse os 500 milhões de euros, dos quais 300 milhões já criados ao longo do primeiro trimestre.

 

A NOVA ESTIMATIVA

Agora a EDP estima que o défice criado em 2013 possa ultrapassar os 700 milhões de euros. Dessa forma, o "stock" de dívida da electricidade, a suportar no futuro pelos consumidores, ascenderá a 4,7 mil milhões no final do ano, em vez de 4,5 mil milhões.

 

OS MOTIVOS DO DESLIZE

A EDP refere "volumes anormalmente elevados" de energia eólica e hídrica como causa para um défice tarifário acima do inicialmente previsto, mas também está a pesar a ausência de receitas dos leilões de licenças de CO2, bem como o desvio entre as previsões de consumo da ERSE e a realidade.  






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