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EDP pode perder entre 45 e 100 milhões por corte a subsídios às renováveis em Espanha

A EDP pode perder entre 45 e 100 milhões de euros devido ao corte de subsídios às energias renováveis, no âmbito de um novo ajuste de 2.100 milhões de euros que o Governo espanhol quer levar a cabo no sector.

Paulo Segadães
Lusa 05 de Fevereiro de 2014 às 09:18
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Se a proposta do Governo avançar - tal como figura em documentos remetidos pelo Ministério da Indústria à Comissão Nacional de Mercados e Concorrência (CNMC) - a EDP será o terceiro grupo mais prejudicado.

 

Essas são as contas feitas por especialistas financeiros do sector para o jornal Expansion e publicadas na edição desta quarta-feira do jornal económico espanhol.

 

A maior fatia do ajuste afectaria a Iberdrola e a Acciona que, em conjunto com a EDP poderiam perder até 600 milhões de euros.

 

Contas de analistas da Fidentis e da Ahorro Corporacion sugerem que em termos absolutos o impacto seria maior na Iberdrola, ascendendo a 270 milhões de euros, enquanto no caso da Acciona as perdas poderiam ascender a 200 milhões de euros.

 

Só que para a Iberdrola isso representaria 7% do resultado operativo e para a Acciona 16% do resultado operativo o que praticamente 'comeria' os lucros da empresa este ano.

 

A Enel Green Power, com um impacto de 70 milhões de euros e a Gas Natural Fenosa e a Abengoa - com impactos de 25 milhões de euros cada - são outras das empresas afectadas, ainda que em muito menor dimensão.

 

Em causa está a nova ordem que estabelece os parâmetros retributivos das energias do regime especial e que pretende substituir o actual sistema de subsídios à produção que afecta empresas renováveis, a cogeração e resíduos.

 

Trata-se de uma tentativa do Governo de reduzir os polémicos subsídios dados ao sector das renováveis e que, segundo dados do Ministério da Energia, ascenderam a 50 mil milhões de euros entre 2000 e 2013.

 

Empresas, associações de consumidores e as comunidades autónomas têm agora 20 dias para apresentar alegações sobre a proposta que seria depois vertida num projecto-lei, apesar de nas últimas horas já terem surgido críticas do sector.

 

Até lá o sector continuará a viver a incerteza sobre o verdadeiro impacto da medida, com contas do Governo a variarem entre 1.500 e 1.750 milhões de euros, afectando especialmente a energia eólica.

 

Empresas do sector das renováveis são mais pessimistas antecipando um impacto que pode ascender aos 2.100 milhões de euros, dos quais 1.200 milhões na eólica e 600 milhões na fotovoltaica.

 

O impacto varia de acordo com a antiguidade das centrais, já que nas anteriores a 2005 desaparecerão totalmente os subsídios e nas posteriores a 2008 aumentarão os apoios.

 

A Acciona, por exemplo, que ficou com algumas das centrais da Endesa pelo acordo com a Enel, deixará de receber subsídios nessas unidades sobre as quais a Endesa recebeu anteriormente apoios.

 

Sem apoios deverá ficar a alemã RWE que tem em Espanha 400 megawatts eólicos, quase todos construídos antes de 2005.

 

Dos 22.800 MW instalados actualmente em Espanha, 8.440 MW, ou 37%, são anteriores a 2005.

 

No ano passado o sector eólico recebeu subsídios de 2 mil milhões de euros tendo sido responsável por metade da energia produzida pelo regime especial, com 48.329 GWh. A Iberdrola é a primeira empresa do sector, com 5.500 MW, seguida pela Acciona, com 4.228, EDP com 2.000 e Gren Enel Energia com 1.400.

 

O novo modelo proposto pelo Governo estabelece uma taxa de investimento e de operação para cobrir os custos necessários para competir e ganhar um retorno razoável.

 

O Ministério desenvolveu uma classificação destas instalações, com um código específico baseado na tecnologia, desempenho e idade entre outros critérios.

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