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Equilíbrio precisa-se

Estratégia da energia para 2050 terá de passar pelo uso equilibrado dos recursos disponíveis para sustentar uma economia mundial quatro vezes maior do que hoje

José Miguel Dentinho 31 de Maio de 2012 às 14:34
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Concentração | Petróleo, gás natural e carvão representam ainda 70% do consumo mundial de energia primária.


A questão da energia é fulcral para o desenvolvimento da humanidade. Segundo o relatório sobre as Perspectivas Ambientais da OCDE para 2050, espera-se que a população da Terra aumente de 7 mil milhões para mais de 9 mil milhões até essa data.

Até lá a economia mundial deverá crescer quase quatro vezes, com reflexos numa procura cada vez maior de recursos naturais e energia. Só que a disponibilidade desta depende de factores geográficos, estratégicos e económicos, com implicações políticas que transcendem, e em muito, a sua produção e exploração. Também por isso, a solução energética passa cada vez mais pelo recurso equilibrado a todas as fontes actuais, incluindo, além de combustíveis fósseis mais limpos e eficientes, energias renováveis, eficiência energética e poupança de energia.

As principais fontes de energia são de origem fóssil. Petróleo, carvão e gás natural representam cerca de 70% do consumo mundial de energia primária. A sua importância estratégica é muito grande, por ser determinada por factores de natureza geográfica, política e económica, principalmente para o petróleo e gás natural. Por um lado, a produção destas duas matérias-primas está cada vez mais concentrada em zonas e países de elevado grau de incerteza política. Por outro lado, "a fraca elasticidade da oferta e da procura em relação ao preço, quer devido à inércia comportamental quer devido à rigidez tecnológica, sobretudo do petróleo, podem potenciar a utilização destes hidrocarbonetos como arma política", diz Manuel Ramalhete, director de Planeamento Estratégico da Galp Energia.

Embora o carvão tenha um peso muito grande no consumo de energia primária, sobretudo na produção de electricidade, não tem os problemas geoestratégicos do petróleo e do gás. "Está relativamente bem distribuído pelo mundo e os seus grandes consumidores são, em simultâneo, grandes produtores", salienta Manuel Ramalhete.

E porque é que o aspecto geoestratégico é importante em relação à utilização de fontes de energia? Porque a nossa civilização está fortemente dependente dos combustíveis fósseis, algo que dificilmente será alterado num horizonte de médio prazo. Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), a estrutura do mix energético actual deverá manter-se pouco alterada até 2030. Isto deve-se essencialmente ao facto dos combustíveis derivados do petróleo serem utilizados em larga escala no sector de transportes. E à civilização actual estar muito dependente do automóvel, cujo uso deverá crescer ainda mais à medida que a classe média de países como a China, Índia, Brasil, África do Sul e Rússia se desenvolve.

Uma economia mundial quatro vezes maior do que hoje consumirá mais 80% de energia em 2050. Sem políticas mais eficazes, a partilha de energias fósseis no contexto energético global manter-se-á em cerca de 85%, salienta o relatório da OCDE.

As necessidades energéticas actuais e futuras não podem ser colmatadas com base numa única fonte de energia. A mudança de paradigma tem vindo a verificar-se desde o século XIII, quando as fontes energéticas eram o carvão e a madeira. Hoje a diversificação é total. Basta pensar que Portugal produz energia a partir de 11 fontes diferentes, embora o carvão e especialmente o petróleo continuem a ter um peso significativo. Mas há, cada vez mais consciência, de que o desenvolvimento sustentável do planeta implica o seu uso de forma a deixá-lo em condições para as próximas gerações. É algo que deverá implicar, no futuro, o uso racional da energia.






Efeito biomassa

- Estima-se que a produção semanal de resíduos por pessoa seja de 5 kg ou 40,5 toneladas de lixo produzidas até os 75 anos de vida.

- Biomassa é o termo genérico da matéria viva - plantas, animais, fungos, bactérias.

- No seu conjunto, a biomassa da Terra representa um enorme armazém de energia.

- Calcula-se que um oitavo da que é produzida anualmente poderia satisfazer toda a procura corrente de energia para a Humanidade. E uma vez que pode voltar a crescer, é um recurso potencialmente renovável.

- Um dos aspectos mais apelativos da energia da biomassa é que não contribui para o aumento do efeito de estufa, desde que seja colhida de forma sustentável.

- Carvão, gás, petróleo e outros combustíveis fósseis não se qualificam como biomassa, apesar de derivarem de material vivo. Os milhões de anos necessários para a formação destes combustíveis implica que não os possamos considerar como fontes de energia renovável.

- Embora grande parte da biomassa seja difícil de contabilizar devido ao uso não comercial, estima-se que, actualmente, representa cerca de 14% de todo o consumo mundial de energia primária. Este valor é superior ao do carvão mineral e similar ao do gás natural e da electricidade.






Eficiência energética

CAN - Europa diz que a Comunidade pretende cortar mais de 60% nos seus objectivos para 2020


A Rede Europeia de Acção Climática (CAN-Europa) e um grupo de 14 outras ONG redigiram um documento para tentar travar a Directiva da Eficiência Energética, que está actualmente a ser negociada entre os Estados-membros. A posição ministerial europeia, segundo a rede, vai garantir que a Europa não atinja as metas de eficiência energética em 20 %, tal como a actual legislação obriga."Todos dizem que apoiam a eficiência, mas no estado que estão as actuais posições, o resultado pode ser que a Directiva seja ainda mais fraca que a legislação existente", sublinhou Erica Hope, da CAN Europa.

Segundo um documento interno da Comissão Europeia, a que a Fundación Renovables teve acesso, os 27 acordaram em cortar em quase 62 % nos objectivos de poupança energética para 2020.




Rede Europeia de Acção Climática quer garantir manutenção das actuais metas de eficiência energética.

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