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Galp: "Não é bom para o país" voltar a adiar furo de petróleo no mar do Alentejo

A companhia espera pela decisão do Governo para decidir se avança. Só daqui a seis ou nove meses é que a Galp tem reunidas as condições ideias para furar.


O Haitong avalia as acções da Galp Energia em 12,00 euros, o que implica um potencial de desvalorização de 17%. A recomendação é de neutral.

As acções da Galp Energia apresentam uma prestação 58% superior ao sector nos últimos dois anos, negociando já acima da avaliação do Haitong. Contudo, o banco de investimento diz que as acções deverão continuar suportadas no curto prazo devido ao impacto da recuperação dos preços do petróleo nos resultados; potencial de valorização dos activos em Moçambique e boa execução dos projectos no Brasil.

As estimativas do Haitong apontam para que produção da Galp aumente 39% este ano e 29% em 2018, devido à actividade no campo petrolífero Lula. A recente venda de activos em Portugal (22,5% da Galp Gás Natural Distribuição) pode abrir portas a aquisições no Brasil, salienta o banco de investimento, alertando contudo para a “forte concorrência” por estes activos devido à melhoria da situação política no Brasil e recuperação nos preços do petróleo.
Bruno Simão/Negócios
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 28 de Outubro de 2016 às 19:04
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A Galp está à espera da resposta do Governo para avaliar se pode avançar para o furo de petróleo no mar do Alentejo. A companhia aponta que uma resposta tardia pode colocar em risco um novo furo no próximo ano, mas garante que não está pressionada pelo tempo.

"Perdeu-se a janela de oportunidade de fazer a perfuração no Verão passado, agora só se colocará dentro de meio ano, nove meses. Não temos a mesma preocupação que tínhamos antes", disse o presidente executivo da Galp esta sexta-feira, 28 de Outubro, na apresentação de resultados.

"Não é bom para o país, não é bom para a economia. Mas neste caso não se aplica porque o tempo para decidir não está a comprometer nenhuma dimensão económica", afirmou Carlos Gomes da Silva.

Só quando o Governo tomar uma decisão é que a empresa decide se avança. "Pusemos o processo de licenciamento, que não controlamos por não haver prazos definidos. Vamos continuar a aguardar que haja condições para retomar o processo. Na altura que houver essas condições vamos voltar a reavaliá-lo".

À Galp resta esperar, pois a decisão está agora nas mãos do Governo. "As pessoas vão decidir com calma, vão ponderar bem as suas opções".

A empresa recordou que tinha tudo pronto para avançar com a operação de perfuração. "Nós fizemos todo o trabalho de casa que era exigível para assegurar que tínhamos uma operação segura, sustentável, que não impactava as populações, nem o meio ambiente".

O furo de exploração representa um investimento de mais de 90 milhões de euros, que pode ficar em risco se o Governo não aprovar o furo para o próximo ano. "Os agentes económicos tomam decisões, em comparação com alternativas similares, e vão tomar as decisões de investimento em função das melhores opções. Um qualquer atraso vai ter aqui esse impacto", alertou.

A Galp está habituada a lidar com projectos de grande dimensão no Brasil e comparando o furo no Alentejo é muito mais simples de efectuar, sublinhou. "Os dois campos do Lula e do Iracema são de uma complexidade muito superior".

As vantagens de efectuar uma perfuração exploratória no mar do Alentejo foram destacadas pelo líder da Galp. "Explorar os recursos marinhos portugueses de energia vai permitir o seu desenvolvimento científico e tecnológico, o melhor conhecimento do seu potencial, criação de emprego qualificada, há aqui toda uma lógica de equação que tem de ser vista".
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