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Gestores e empresários escrevem a Passos para cortar mais nas rendas da EDP

Dezoito personalidades em carta ao primeiro-ministro, Passos Coelho, avisam que os cortes feitos na energia não chegam para travar o défice e baixar preços, noticia o “i”. Henrique Gomes e Mira Amaral unidos contra “benefícios da EDP”.

Negócios 16 de Junho de 2014 às 10:11
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Para os signatários do documento, Portugal deve seguir o exemplo de Espanha e aplicar cortes mais agressivos nas rendas e custos do sector eléctrico.  O apelo foi feito directamente ao primeiro-ministro, através de carta, subscrita por empresários, gestores, académicos e um ex-membro deste Governo: Henrique Gomes, ex-secretário de Estado da Energia, que se demitiu em 2012 contra as opções do Governo que privilegiou a privatização da EDP e da REN em relação aos cortes das chamadas rendas excessivas do sector eléctrico, como exigia a troika.

 

A carta com data de 21 de Maio tem 18 subscritores, entre os quais Mira Amaral, Alexandre Patrício Gouveia, Clemente Pedro Nunes, Pedro Sena da Silva e Henrique Neto, e até quinta-feira não tinha tido resposta. A missiva a que o "i" teve acesso procura desfazer argumentos das empresas e do governo, a propósito de uma entrevista de Passos Coelho ao "Diário Económico" em que, "seguramente mal informado", defende que os custos de energia são inferiores à média europeia e a inevitabilidade de compensações às eléctricas (sobretudo EDP).

 

"As afirmações do senhor primeiro-ministro correspondem à posição de interesses privados para justificar um dos maiores prejuízos infligidos à economia nacional - e simultaneamente vultuosos benefícios encaixados para si próprios". Os promotores alegam que esta posição assenta em "factos falsos" e em "argumentos sem fundamento legal", exigindo a imediata eliminação dos CMEC (custos de manutenção do equilíbrio contratual das centrais da EDP) e das restantes rendas excessivas, em nome da competitividade e da recuperação do país.

 

Na mesma missiva publicada pelo "i" sublinham que os preços da electricidade em Portugal "não correspondem sequer à totalidade dos custos. Para além daquilo que os consumidores pagam nos preços, os

As afirmações do senhor Primeiro-Ministro correspondem à posição de interesses privados para justificar um dos maiores prejuízos infligidos à economia nacional - e simultaneamente vultuosos benefícios encaixados para si próprios
 
Carta dos dezoito

produtores têm visto, ano após anos, os proveitos das rendas serem engrossados com o valor do défice tarifário". Este défice deverá atingir cinco mil milhões de euros no final deste ano.

 

O Governo está a ultimar o terceiro pacote de redução de custos na energia que, segundo o ministro da Energia e Ambiente, Jorge Moreira da Silva, irá elevar os cortes feitos no sector a 4400 milhões de euros desde 2012. O objectivo é travar aumentos do preço da electricidade e gás e cumprir o calendário de eliminação do défice tarifário do sector eléctrico até 2020. Mas parte das medidas afecta o gás natural e a refinação, que vão pagar também a contribuição extraordinária, aliviando uma factura que, segundo estes responsáveis deveria incidir no sector eléctrico e na EDP.

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