Energia Lucro da EDP caiu para menos de metade em 2018. Em Portugal houve prejuízos

Lucro da EDP caiu para menos de metade em 2018. Em Portugal houve prejuízos

Pela primeira vez, desde a privatização, a elétrica teve prejuízo em Portugal. A EDP justifica os resultados com as medidas regulatórias. 
Lucro da EDP caiu para menos de metade em 2018. Em Portugal houve prejuízos
Miguel Baltazar
Sara Ribeiro 11 de março de 2019 às 19:36

A EDP fechou 2018 com um resultado líquido de 519 milhões, uma queda de 53% face ao ano anterior e que reflete os piores resultados registados pela empresadesde 2004. A empresa liderada por António Mexia justifica o resultado com o impacto adverso de medidas regulatórias em Portugal, nomeadamente relacionadas com a provisão de 285 milhões de euros pelas alegadas sobrecompensações dos CMEC (Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual).

 

Em comunicado emitido esta segunda-feira junto da CMVM, a elétrica destaca que os resultados "estão materialmente afetados por factores não recorrentes, tanto em 2017 como em 2018, o que distorce uma comparação em termos homólogos".

 

No caso de 2017, o impacto de 268 milhões é explicado "pelo ganho de capital líquido obtido na reestruturação do portfólio e imparidades na península Ibérica" e em 2018 pelos 277 milhões relativos "a uma decisão administrativa com efeitos retroactivos nos CMEC", sublinha a EDP referindo-se ao despacho assinado no ano passado pelo então secretário de Estado da Energia Jorge Seguro Sanches.

 

Excluindo estes efeitos não recorrentes e "desconsolidação das operações de distribuição das redes de gás alienadas em 2017", o resultado líquido recorrente subiu 3% em termos homólogos, para 797milhões de euros, "uma vez que o crescimento na EDP Brasil e a melhoria de mercado na Península Ibérica foram compensados por alterações regulatórias em Portugal", acrescenta a elétrica. 

 

O lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações (EBITDA) recuou 3%, para 3,287 mil milhões de euros.

 

A EDP destaca que, no total, em 2018 os custos com as medidas regulatórias em Portugal ascenderam a 672 milhões de euros, o que representa um acréscimo em termos homólogos superior a 400 milhões de euros. O que penalizou "fortemente" o lucro.

 

Aliás, segundo a empresa, estas medidas regulatórias levaram a EDP a registar prejuízo em Portugal pela primeira vez desde o início da privatização em 1997. Em 2018 a atividade em território nacional registou um prejuízo de 18 milhões de euros, excluindo o contributo da EDP Renováveis. Este resultado compara com os lucros de 169 milhões de euros alcançados em 2017. Tendo em conta as renováveis, o peso de Portugal para o resultado líquido baixou 20%. 

 

No comunicado, a elétrica sublinha ainda que o investimento aumentou 18%, tendo ultrapassado os dois mil milhões e tendo sido "essencialmente focado em renováveis".

 

Por sua vez, a dívida líquida da empresa diminuiu 3% para 13,5 mil milhões de euros. 

 

Na véspera de apresentação da atualização do plano estratégico, a EDP relembra que realizou alguns desinvestimentos em 2017, nomeadamente em Portugal com a venda de centrais de biomassa e mini-hídricas.

 

Como foi noticiado, é esperado que amanhã a EDP anuncie a venda de ativos de geração elétrica convencionais e um reforço na aposta em energias verdes.




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