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Mexia admite ter enviado currículo de ex-assessor de Pinho para o BCP. “Como esse, terei mandado muitos”

João Conceição, ex-assessor de Pinho, terá transitado da assessoria do Governo para o BCP através da recomendação da EDP. António Mexia confirma e desvaloriza.

Lusa
Ana Batalha Oliveira anabatalha@negocios.pt 26 de Fevereiro de 2019 às 17:35
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António Mexia, presidente Executivo da EDP, confirma que sugeriu que o ex-assessor de Manuel Pinho, João Conceição, fosse trabalhar para o banco BCP quando abandonou o Governo – o mesmo Executivo que aprovou os CMEC. Rejeita a influência de Conceição na negociação dos contratos e sublinha o mérito do técnico para ser recomendado, encarando com naturalidade a ponte que fez entre o mesmo e o banco.

"Como esse, terei mandado muitos", afirmou António Mexia perante a Comissão Parlamentar de Inquérito ao Pagamento de Rendas Excessivas aos Produtores de Eletricidade, referindo-se ao e-mail no qual faz a recomendação de João Conceição ao BCP. "Não me custou enviar o currículo de alguém", acrescenta.

Para António Mexia, é "um bocadinho exagerada" a ideia de que João Conceição tivesse ganho poder suficiente para exercer influência sobre a negociação dos Custos de Manutenção do Equilíbrio Contratual (CMEC), os contratos assinados entre a EDP e o Estado, na altura em que Manuel Pinho era ministro da Economia e João Conceição o respetivo assessor. Contrato que, desde logo, diz terem sido negociados antes da entrada de Conceição em cena. "O senhor engenheiro não interveio na extensão do domínio hídrico nem nos CMEC, estas coisas foram feitas antes de ele chegar ao ministério", defende.

A completar o argumento, está a crença de que João Conceição possui um "currículo indiscutível". "Uma coisa é clara: João Conceição não foi trabalhar para a EDP", remata.

Recentemente, foi confirmado que João Conceição terá auferido 10.000 euros mensais pelos serviços prestados no BCP, após ter assumido o cargo de assessor de Manuel Pinho no ministério da Economia. Estes valores, segundo documentação entregue pelo ministério, foram sugeridos pelo próprio em correspondência trocada com os gestores da EDP e EDP Renováveis, António Mexia e João Manso Neto, sendo que a elétrica terá sido a ponte com o BCP, que na altura era acionista desta empresa. 

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