Energia Número 2 do PSD arrasa estratégia industrial do ministro da Economia

Número 2 do PSD arrasa estratégia industrial do ministro da Economia

Jorge Moreira da Silva considera que a visão industrial de Álvaro Santos Pereira é anacrónica. O ministro defendeu que as regras ambientais europeias fossem flexibilizadas, mas hoje, essa ideia “já não faz sentido”.
Número 2 do PSD arrasa estratégia industrial do ministro da Economia
Bruno Simões 13 de dezembro de 2012 às 21:22

O ministro da Economia colecciona críticas depois das declarações em que defendeu que deve haver uma flexibilização das regras ambientais europeias, que considera serem “fundamentalistas”. Jorge Moreira da Silva, vice-presidente do PSD, mostrou estar em total desacordo. “Não quero acreditar que essa seja a posição do Governo”, começou por dizer.

 

“Há uma visão, que algumas pessoas partilham, de que o ambiente é um problema, e de que a industrialização se deve fazer contra o ambiente porque é mais competitiva. Essa é uma visão anacrónica”, afirmou. “Durante muito tempo, essa visão de que o ambiente é um problema foi muito propagada no espaço público; hoje ela já não faz sentido”, até porque o preço final dos produtos incorpora “os custos das emissões de dióxido de carbono” necessárias para os produzir.

 

Por isso, “quem produzir com menos emissões vence, quem produzir com mais emissões perde, porque coloca os produtos mais caros”, explicou Jorge Moreira da Silva. O dirigente social-democrata falou na condição de presidente da Plataforma para o Crescimento Sustentável, que hoje apresentou um relatório com 511 recomendações para Portugal atingir uma trajectória de crescimento. Segundo Moreira da Silva, são propostas para o período após Junho de 2014, que é quando o programa da troika termina.

 

Resto do mundo também já é mais verde

 

“Também fora da Europa se vive já numa economia verde. Os países em vias de desenvolvimento estão a assumir metas mais ambiciosas: a China, a Índia, o Brasil, a África do Sul, o México, a Argentina”, destacou Moreira da Silva. Álvaro Santos Pereira tinha pedido que, “ao nível das regras ambientais”, a Europa não fosse “mais papista do que o Papa, em relação a outras regiões do globo”, porque o Velho Continente “não poderá ser inocente” perante essas outras regiões.

 

Moreira da Silva defende o exacto oposto do que pretende o ministro da Economia. “A economia de que precisamos é uma economia verde, é uma economia em que quem produz limpo vence e em que quem consome verde poupa”, frisou. Uma economia que “aposta no ambiente, na biodiversidade, na redução do consumo de energia, nas energias renováveis, na mobilidade sustentável” e que “integra o conhecimento, a inovação e faz da eco-eficiência um motor do crescimento e capacidade para gerar empregos, empresas e competir”.

 

Esta tarde, a ministra do Ambiente, Assunção Cristas, já tinha mostrado que discorda do ministro da Economia. “"Não devemos ter a ambição de sermos iguais a outras geografias que, nessa matéria, estão atrás”, sublinhou, citada pelo “Expresso”.




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