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Parceiro da Galp vai a Londres procurar financiamento para projectos de gás em Moçambique

A italiana Eni reuniu-se com vários bancos em Londres para angariar dinheiro para arrancar com o projecto Coral, onde a Galp detém 10%.

Miguel Baltazar/Negócios
André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 29 de Setembro de 2016 às 16:58
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A italiana Eni procura financiamento para desenvolver um dos seus projectos de gás natural em Moçambique. A petrolífera reuniu-se com vários bancos em Londres na passada semana para obter capital para avançar com o projecto "offshore" (no mar) Coral.

A Galp detém 10% deste consórcio liderado pela companhia italiana. A notícia é avançada pela Reuters e foi confirmada pela Eni. Segundo uma fonte citada pela agência, o financiamento pode "atingir vários mil milhões de dólares".

As respostas dos bancos devem chegar dentro de três a quatro semanas, com a Eni a ficar mais perto de tomar uma decisão final de investimento sobre o projecto. A petrolífera italiana espera tomar uma decisão até ao final deste ano.

A ronda pela praça financeira de Londres acontece depois da Eni ter chegado a acordo com a Samsung Heavy para construir um navio-plataforma que extrai e processa o gás para o estado líquido para poder ser transportado.

Moçambique detém das maiores reservas de gás natural do mundo, suficientes para abastecer a Alemanha, Reino Unido, França e Itália durante quase vinte anos. Estas reservas ficam na Área 4, onde está localizado o campo de Coral.

A Eni detém 50% da Área 4, com 20% a serem detidos pela chinesa CNPC, enquanto os restantes parceiros têm 10% cada um: a Galp, a coreana Kogas, e a Empresa Nacional de Hidrocarbonetos de Moçambique.

Ao mesmo tempo, o ministro dos Recursos Minerais e Energia de Moçambique foi demitido esta quinta-feira. Pedro Couto era o responsável pelo sector do gás no país e por negociar com as companhias gasistas. Ocupava o cargo desde o início de 2015 e foi exonerado do cargo pelo presidente Filipe Nyusi.

Os bancos deverão estar atentos à situação económica e financeira de Moçambique que têm vindo a agravar-se este ano, depois de ter sido tornado público a existência de uma dívida fora das contas públicas no valor de 1,25 mil milhões de euros.

Em Abril, o Fundo Monetário Internacional (FMI) tinha cancelado uma visita ao país, mas encontra-se actualmente a decorrer uma missão do Fundo em Moçambique.

Foi em Abril que o presidente da Galp, Carlos Gomes da Silva, revelou que a companhia estava "preocupada" com a situação financeira em Moçambique.

Também a situação política no país pode levantar dúvidas aos bancos. A crise política arrasta-se desde 2014, depois da Renamo recusar reconhecer a derrota nas eleições gerais para a Frelimo, partido que está no poder desde a independência do país em 1975.
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