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Presidente da Águas de Portugal demite-se por discordar da política do Governo

Afonso Lobato Faria demite-se por "não concordar com as ideias que a tutela sectorial defende para o Grupo Águas de Portugal", referiu o presidente da empresa num email enviado à administração.

André Cabrita-Mendes andremendes@negocios.pt 30 de Março de 2016 às 12:42
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O presidente da Águas de Portugal bateu com a porta por discordar da política do Governo de António Costa para o sector.

A decisão de Afonso Lobato Faria foi anunciada esta quarta-feira, 30 de Março, e comunicada à administração da empresa pública e à tutela. O Ministério do Ambiente já confirmou a demissão do gestor.

Numa email enviado aos administradores da empresa esta manhã, a que o Negócios teve acesso, Lobato Faria argumenta que "por não concordar com as ideias que a tutela sectorial defende para o Grupo Águas de Portugal, quero comunicar-vos que renunciei ao cargo de presidente do conselho de administração da empresa pois entendo que esta será a melhor forma de defender o superior interesse nacional".

O gestor começa a missiva ao escrever que quando aceitou o convite em Dezembro de 2011 "estava consciente das dificuldades económico-financeiras porque passava na altura o grupo Águas de Portugal".

Um dos desafios lançados então pelo Governo de Passos Coelho foi agregar os sistemas multimunicipais do interior com os do litoral, de forma a criar uma "tarifa única". "O processo incluía igualmente, e pela primeira vez na história do setor da água, a resolução do défice tarifário acumulado em 25 anos por forma a ser geracionalmente justo", sublinha.

"Concordei totalmente com a solução apresentada, por me parecer a melhor solução para devolver a sustentabilidade económico-financeira a um sector essencial para o País, e não estava enganado", acrescenta Afonso Lobato Faria.

Segundo o gestor, após menos de um ano de funcionamento da solução implementada em Julho de 2015 os principais indicadores do grupo tiveram uma melhoria significativa", aponta e dá dois exemplos.

Primeiro, as dívidas dos clientes municipais diminuíram em mais de 40 milhões de euros "permitindo que as empresas tenham uma tesouraria saudável podendo realizar os investimentos em falta". Em segundo, a dívida do grupo que em 2012 ascendia aos 3.000 milhões de euros, foi reduzida em 22% até ao final de 2015.

"Desta forma, caros administradores, no momento em que escrevo a presente mensagem os principais problemas do grupo Águas de Portugal estão resolvidos pelo que o elementar bom senso aconselhava a que esta reestruturação fosse consolidada nos próximos anos", escreve Afonso Lobato Faria. "Não foi este o entendimento da tutela setorial que anunciou a reversão do processo de reestruturação no passado dia 22 de Março".

Demissão já esperada

Uma fonte do sector apontou que esta demissão chega "sem surpresas", pois as declarações públicas do presidente da Águas de Portugal já iam neste sentido, sublinhou.

Afonso Lobato Faria esteve no parlamento em Janeiro para fazer um ponto de situação da Águas de Portugal.  Questionado sobre a prometida reversão nesta reestruturação, conforme prometida no programa do Governo de António Costa, Afonso Lobato Faria recusou "comentar programas de Governo" e "orientações políticas" e preferiu "tecer algumas considerações", elogiando a reestruturação que estava a ser feita no sector.

Sublinhou assim o "sucesso" do sistema em alta em Portugal, que só foi alcançado por diversos governos terem dado continuidade às políticas já implementadas, ao "construírem em cima do que já está construído". "É importante que se mantenha este pacto de regime não escrito", afirmou.


(Notícia actualizada às 13:50)

Quem é Afonso Lobato Faria?
Nascido em 1968 é licenciado em Engenharia Civil pelo Instituto Superior Técnico. Conta também com um mestrado em Engenharia do Ambiente no Imperial College em Londres e com um mestrado em gestão de empresas pela Universidade Nova de Lisboa. Entre 2003 e 2009, foi director do Instituto de Soldadura e Qualidade. Depois seguiu para a Efacec Ambiente, onde ocupou o cargo de director até 2012, altura em que aceitou o convite da então ministra da Agricultura, Assunção Cristas, para assumir a liderança do grupo Águas de Portugal.
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