Economia ANEOP diz mercado de Obras Públicas permanece com sinal negativo

ANEOP diz mercado de Obras Públicas permanece com sinal negativo

As expectativas detidas no final de 2003 sobre uma eventual melhoria no mercado de Obras Públicas em 2004, não corresponderam às expectativas «já que a maioria dos indicadores de análise permanecem com sinal negativo».
Ana Filipa Rego 05 de janeiro de 2005 às 18:27

As expectativas detidas no final de 2003 sobre uma eventual melhoria no mercado de Obras Públicas em 2004, não corresponderam às expectativas «já que a maioria dos indicadores de análise permanecem com sinal negativo».

Esta é a conclusão da Associação Nacional de Empreiteiros de Obras Públicas (ANEOP) que sublinha que as vendas de cimento em 2004 ficaram abaixo das verificadas no ano anterior.

Em comunicado, a ANEOP explica no final de Novembro do ano anterior as vendas permaneciam abaixo do período homólogo, ou seja, com uma quebra de 17,4%, o que não era esperado há um ano.

Estas vendas permanecem 2,4% abaixo dos 12 meses precedentes, período em que se registava um acréscimo de vendas na ordem dos 18%. Para esta associação a quebra anual de 2,4% apurada no final de Novembro «parece ser bem elucidativa da forte quebra de actividades que o sector terá sentido em 2004 pelo quarto ano consecutivo».

Em relação ao segmento das Obras Públicas os níveis de produção «permanecem aquém das expectativas avançadas em 2003, já que o índice de produção de obras de engenharia civil, divulgado pelo INE, apresentava no final de Outubro uma variação de menos 3,4% face aos mesmos dez meses de 2003.

Valor dos trabalhos realizados em Obras Públicas cai 6,3% no final de 2004

«Esta variação parece-nos algo sobreavaliada, uma vez que o indicador da ANEOP para o Valor dos Trabalhos Realizados (VTR’s) em obras públicas apresentava um decréscimo de 10,3% no final de Outubro e menos 6,3% no final de 2004», refere a mesma fonte explicando que depois de em 2002 o valor adjudicado ficar 14,1% abaixo do valor apurado, em 2001 e de em 2003 o decréscimo ter sido de 27,2%, «dificilmente se poderiam esperar acréscimos de produção de obras públicas em 2004, já que a produção efectiva só acontece após a adjudicação e a consignação das respectivas empreitadas».

Neste sentido, observando a evolução mensal do indicador da ANEOP "VTR’s", o qual no final de Dezembro e em termos acumulados se terá situado 6,3% abaixo da produção verificada em 2003, «esta variação parece-nos mais compatível com os decréscimos antes referidos do que a variação negativa de 4,3% apurada pelo indicador do INE até ao final de Outubro», explica o comunicado.

ANEOP tem dúvidas na recuperação dos mercados públicos em 2005

A mesma fonte sublinha que, independentemente do indicador que se tome por referência, o que é facto é que houve uma quebra de produção nos mercados públicos em 2004, «permanecendo a dúvida sobre se só em 2005 este indicador registará melhorias, isto tendo em atenção o volume de obras públicas promovidas e adjudicadas em 2004, por um lado, e a «turbulência» política interna, por outro.

Para além disso, em Novembro do ano anterior, a maioria dos empresários «continuava a manifestar-se pessimista sobre a evolução da conjuntura, razão porque o indicador de confiança para o conjunto do sector ainda permanecia em menos 44%, atingindo menos 40% para as obras públicas», explica a associação que conclui que «a falta de confiança numa possível melhoria da conjuntura foi algo que permaneceu ao longo dos meses de 2004 no espírito dos empresários».

Em suma, a ANEOP considera que os mercados públicos em 2004 «não correram como se esperaria e tendo em conta a dimensão da crise vivida em 2003». Neste sentido «mantém-se a dúvida sobre se é possível perspectivar para 2005 uma melhoria dos níveis de produção de obras de engenharia civil».




Marketing Automation certified by E-GOI