Imobiliário Asiática converte palacete de um visconde no Porto em apartamentos de 1,6 milhões

Asiática converte palacete de um visconde no Porto em apartamentos de 1,6 milhões

Uma promotora imobiliária sediada em Hong Kong e com projetos na Tailândia está a transformar uma sumptuosa mansão neoclássica em Cedofeita, que foi residência de famílias nobres da cidade, num condomínio com 13 apartamentos, dos quais oito irão nascer de raiz.
Rui Neves 17 de julho de 2019 às 13:58

José da Silva Figueira nasceu a 21 de março de 1838, em S. Miguel de Barreiros, atual freguesia sede da Maia. Filho de modestíssimos lavradores, partiu aos 14 anos para o Brasil em busca de uma vida melhor, tendo conseguido fazer fortuna no negócio dos caminhos-de-ferro.

 

Entre outras empreitadas, teve a seu cargo importantes obras como as estradas de ferro Leopoldina, Rio Doce e D. Pedro II.

 

E foi durante a construção desta última obra, quando os trabalhadores foram atingidos por um surto de varíola, que José da Silva Figueira começou a ganhar o afeto da população, ao ter ordenado a construção de um hospital provisório para socorrer os operários, seguindo-se a doação de grandes quantias a várias instituições de beneficência.

 

Ao fim de 28 anos no Brasil, decidiu regressar a Portugal. Já conhecido como Visconde de Barreiros, usou alguma da sua fortuna em obras sociais, entre as quais se destaca a fundação de uma escola primária, para ambos os géneros, na sua terra natal.

 

Viria a morrer na noite de Natal de 1892, aos 54 anos, no número 439 da Rua de Cedofeita, no Porto, "vítima de uma lesão cardíaca complicada com outros padecimentos".

 

O número 439 é corporizado por uma sumptuosa mansão oitocentista de estilo neoclássico, numa rua que foi morada de alguns dos mais emblemáticos palacetes urbanos do Porto no século XIX, que foi residência de famílias nobres da cidade, incluindo do Visconde de Barreiros.

 

Este imóvel acabou nas mãos da Lifestyle & Leisure, Ltd., uma empresa com sede em Hong Kong e com outros projetos imobiliários na Tailândia, que está a converter o Palacete Cedofeita num condomínio residencial com 13 apartamentos, que conjuga a reabilitação da mansão original com a construção de um edifício nos jardins da propriedade.

 

No palacete irão nascer cinco apartamentos de tipologias T3 e T4+1, com áreas entre os 218 e os 299 metros quadrados, dos quais dois dispõem de jardins privados.

 

Já no corpo arquitetónico a construir nos jardins da propriedade, batizado como Residences, irão ser construídos oito apartamentos de tipologias T2 duplex e áreas desde os 131 aos 155 metros quadrados.

 

Os preços começam nos 595 mil euros, no Residences, e vão até aos 1,545 milhões de euros no palacete, onde o apartamento mais barato custa mais de um milhão de euros.

 

"O Palacete Cedofeita é não só um condomínio de excelência, como uma verdadeira fusão entre a história da cidade e a sua atual vitalidade. Isso é visível não só no projeto arquitetónico, que conjuga de forma exemplar recuperação do património e construção nova, como no estilo de vida que propõe", enfatiza Patrícia Barão, "head of residential" da JLL, consultora responsável pela comercialização do empreendimento, em conjunto com a Predibisa, em comunicado.

 

A promotora imobiliária, que pertence ao empresário Anil Melwani, prevê concluir a construção do Palacete Cedofeita no início do próximo ano.




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