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Avenida da Liberdade: Estrangeiros também já vêm para morar

Vender para habitação poderá representar o dobro do encaixe para os investidores. Na principal avenida de Lisboa, começam a surgir projectos residenciais de luxo. Os estrangeiros compram.

Bloomberg
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 04 de Março de 2015 às 15:58
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É uma tendência relativamente recente. Além dos escritórios e retalho, a Avenida da Liberdade está a ser procurada por investidores estrangeiros que apostam em habitação. São já alguns os projectos previstos nesse sentido.

 

O número 238 deste eixo – localizado ao lado da loja da Cartier – teve 24 apartamentos de luxo no mercado. O projecto conjunto da Espírito Santo Property e da Stone Capital já só tem "cinco ou seis" apartamentos para venda, indica Patrícia Barão, responsável da área residencial da consultora JLL. Brasileiros, chineses e franceses estão entre os compradores.

 

Lisboa tem, no total, 600 mil metros quadrados desocupados na cidade, na sua maioria estruturas obsoletas. A reabilitação dos imóveis para outros usos que não escritórios – já que nem todos os imóveis conseguem responder a todas as exigências dos investidores - apresenta-se, cada vez mais, como uma alternativa. Nesse sentido, têm surgido projectos de habitação.

 

É o caso dos edifícios do Novo Banco previstos para a expansão do antecessor BES na Avenida da Liberdade, vendidos a um investidor anglo-saxónico em Fevereiro por mais de 30 milhões de euros. O projecto inicial previa a utilização para escritórios, mas os mesmos serão agora reconvertidos para habitação.

 

Os pisos térreos estão reservados a lojas, à semelhança das duas marcas de luxo que irão instalar-se no Liberdade 238. É precisamente esta complementaridade dos edifícios que permite que haja ainda espaço para que grandes marcas internacionais se possam instalar neste eixo central.

 

A variação do preço segundo o uso dos imóveis poderá justificar o interesse dos investidores internacionais no segmento habitacional. Na Avenida da Liberdade, cada metro quadrado vendido para escritórios poderá custar até 3.500 euros. Para habitação, o valor escala até por volta dos sete mil euros, indicam os responsáveis da JLL.

 

"Portugal está no mapa dos países para investir em habitação. Fala-se que os estrangeiros estão a investir em Portugal e nós sentimos isso a cada dia que passa", reforça o director-geral Pedro Lancastre. As condições fiscais atractivas, o programa de vistos "gold" e o regime fiscal para residentes não habituais têm favorecido esta tendência.

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