Imobiliário Bloomberg: Como os bancos portugueses estão a “surfar” a onda da subida de preços no imobiliário

Bloomberg: Como os bancos portugueses estão a “surfar” a onda da subida de preços no imobiliário

A agência de notícias escreve que "não é coincidência" que três dos maiores bancos do país tenham decidido vender alguns de seus activos imobiliários mais valiosos ao mesmo tempo.
Bloomberg: Como os bancos portugueses estão a “surfar” a onda da subida de preços no imobiliário
Negócios com Bloomberg 03 de agosto de 2018 às 11:38

Nas últimas semanas foram várias as notícias dando conta que os maiores bancos portugueses venderam ou pretendem vender parte do seu portefólio imobiliário. É a esse tema que a Bloomberg dedica esta sexta-feira um artigo, mostrando como os bancos em Portugal estão a "surfar" a onda da subida de preços, motivada em parte pelo "boom" do turismo.

O BPI foi um dos últimos a anunciar um negócio. No mês passado, o banco liderado por Pablo Forero vendeu o imóvel mais antigo que detinha na capital, o Augusta Lisbon, a um fundo alemão por 66 milhões de euros.

"Porque é que vendemos?", disse Forero na conferência de imprensa de apresentação de resultados, citado pela Bloomberg. "Decidimos tirar vantagem deste momento muito interessante no mercado imobiliário".

Além do BPI, também o BCP e a Caixa Geral de Depósitos anunciaram recentemente a alienação de imóveis na capital, que tem assistido a um forte aumento do preço das propriedades. O banco liderado por Miguel Maya acordou vender o edifício da Rua do Ouro, que tem seis pisos e 8.850 metros quadrados, ao Sana Hotels, por um montante não revelado.

Já o banco do Estado quer desfazer-se de três imóveis, entre os quais o quarteirão que possui na mesma rua da baixa lisboeta.

Embora o corte de custos seja um factor-chave para as vendas, escreve a Bloomberg, "não é coincidência" que três dos maiores bancos do país tenham decidido vender alguns de seus activos imobiliários mais valiosos ao mesmo tempo. O investimento em imóveis portugueses deverá subir para um recorde de 3,5 mil milhões de euros em 2018, o que compara com 2,1 mil milhões de euros no ano passado, de acordo com a Cushman & Wakefield. Os estrangeiros representaram 67% do investimento em 2017.

"A verdade é que a procura nunca foi tão forte", afirmou Ana Gomes, directora da Cushman & Wakefield em Lisboa, citada pela agência noticiosa, que lembra que Portugal foi o terceiro país da União Europeia onde os preços das casas mais subiram no ano passado. 


"Isto não tem nada a ver com o pico de mercado em Lisboa", acrescentou José Cardoso Botelho, director da Vanguard Properties, que vendeu recentemente uma penthouse na cidade por um valor recorde de 22 mil euros por metro quadrado. "Lisboa está a atrair um novo tipo de investidor que quer comprar algo especial, independentemente do preço".

A Bloomberg detalha que o edifício do BPI, por exemplo, foi vendido por mais de 5 mil euros por metro quadrado, mais do dobro do preço que os investidores pagariam por uma propriedade na mesma área há três anos.




pub