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Economista nascido por obra de Deus tem palacete na Foz à venda por 6,25 milhões

O polémico Pedro Arroja, que admira Salazar e acredita em Deus porque a mãe “não sabia fazer pénis”, e que, “se os ricos mandassem, não havia corrupção”, tem o palacete da sua gestora de patrimónios à venda na Foz-do-Douro por 6,25 milhões de euros.

O palacete da Pedro Arroja - Gestão de Patrimónios, SA, fica situado na avenida mais cara do Porto.
Rui Neves ruineves@negocios.pt 03 de Julho de 2018 às 16:24
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A Pedro Arroja - Gestão de Patrimónios, SA, do polémico economista Pedro Arroja, tem à venda o palacete que lhe serve de sede, situado na Avenida de Montevideu, frente ao mar, na portuense Foz-do-Douro, por 6,25 milhões de euros.

 

"Moradia apalaçada de arquitectura muito interessante, com cerca de 1.300 metros quadrados de área coberta, envolvida por um bonito jardim com cerca de 2.800 metros quadrados. Está localizada na primeira linha, na avenida mais cara do Porto, reconhecida como a zona mais nobre da cidade. Totalmente renovada com todo o conforto de um imóvel moderno está preparada para empresas e facilmente se pode converter em habitação", lê-se no site da Sotheby’s, a imobiliária de luxo escolhida pela empresa para vender o imóvel.

 

O palacete de quatro pisos tem 25 salas, que podem ser "convertidas" em quartos, sete casas-de-banho e uma cozinha, sendo ainda dotado de uma garagem com capacidade para sete automóveis.

 

Contactado, Pedro Arroja não quis prestar declarações ao Negócios sobre esta matéria.

 

"Se a criança vai ou não trabalhar, é com os pais"

 

Quem é Pedro Arroja? Nascido há 64 anos em Lisboa, filho de um contabilista e de uma modista, estudou na Escola Comercial Veiga Beirão e depois foi viver para o Porto, onde se licenciou em Economia. Mais tarde fez o mestrado e o doutoramento no Canadá, onde foi professor na Universidade de Otava entre 1979 a 1986.  

 

De regresso ao Porto, deu aulas em diversas universidades e fundou uma sociedade de gestão de activos e patrimónios, tendo ganho muito dinheiro na bolsa.

 

Nos anos 90, por via dos seus comentários em meios como o "Jornal de Notícias", "Vida Económica" e "TSF", começa a ganhar fama de economista excêntrico.

 

Por essa altura, numa entrevista à extinta revista "Grande Reportagem", defendeu, por exemplo, a privatização da polícia e dos tribunais, e a reversão da legislação que proíbe o trabalho infantil. "Se a criança vai ou não trabalhar, é com os pais", considerava Arroja.

 

E queria a mercantilização das eleições: "É precisamente a pensar nos pobres que eu punha a questão da transacção do voto. Se uma pessoa tem direito a um voto mas não quer usá-lo, tem de o deitar fora. Noutro sistema, poderá vendê-lo a alguém que queira votar várias vezes. Já viu quantos pobrezinhos ficavam beneficiados?"

 

Mais tarde, nas páginas da "Visão", explicou porque defendia que o direito a voto não deveria ser dado a menores de 35 anos. "Abaixo dos 35, 40 anos, ninguém. Como é que uma pessoa, aos 18, que nunca governou uma casa, que vive à custa dos pais, a quem os pais não reconhecem, qualquer validade de opinião para dar um conselho acerca de como se governa uma casa, que não tem experiência de nada, vai participar na governação de um País?", questionou.

 

"Se os ricos mandassem, não havia corrupção"

 

À "Sábado", atirou: "Se os ricos mandassem, não havia corrupção."

 

Admirador de Salazar, chegou a escrever que, em ditadura, "Portugal viveu um modelo de governação excepcional", sendo que "já vivemos várias vezes em democracia e acabou sempre mal".

 

Ainda à "Visão", em 2007, concluía: "O regime democrático, apesar dos dinheiros que temos vindo a receber da UE, não conseguiu progresso nenhum. Digo o que está em evidência: que o nosso país prosperou sempre mais com regimes de autoridade. O crescimento médio durante o tempo de Salazar foi extraordinário", argumentou.

 

E insistiu: "O Portugal de Salazar, a Espanha de Franco e o chile de Pinochet foram exemplos de milagres económicos."

 

Antes, quando questionado sobre os motins sociais nos Estados Unidos, Pedro Arroja profere mais uma explicação polémica: "Tem a ver com o problema negro. Que é basicamente um problema de família. Os negros não são capazes de constituir família como tendência geral, como nós constituímos. Têm muitas mulheres. E a pobreza americana, hoje, como nos outros países desenvolvidos, é sobretudo a mulher sozinha com filhos. E a maior parte das famílias negras acabam assim. (…)  "Vá a África e veja porque é que eles não trabalham. Gostam muito de sexo; nós também gostamos, mas se estivéssemos o dia todo na cama não fazíamos mais nada", afirmou.

 

"A função prioritária da mulher é cuidar dos filhos"

 

Já quando questionado sobre o papel da mulher na sociedade, Arroja saiu-se com esta: "A função prioritária da mulher é cuidar dos filhos e, pelo menos, enquanto eles são pequenos, só ocasionalmente ela trabalha fora de casa. Compete ao homem auferir o rendimento que permita sustentar a família. O dinheiro ganho pelo homem é depois entregue à mulher para que ela possa satisfazer as necessidades da família."

 

Entretanto, em 2015, enquanto comentador regular no Porto Canal, Arroja volta à ribalta com declarações sobre o papel da mulher que inflamam a praça pública.

 

A 10 de Novembro desse ano, no dia em que o Governo PSD/CDS cai, o economista atira-se às deputadas do Bloco de Esquerda: "Repare, aquelas esganiçadas, sempre contra alguém ou contra alguma coisa. Aqui entre nós que ninguém nos ouve, eu não queria nenhuma daquelas mulheres - já tenho pensado - eu não queria nenhuma daquelas mulheres, nem dada. Nem dada! Porquê? Porque eu não conseguiria com elas, com uma delas, com uma mulher assim, construir uma comunidade, uma família. Elas estão sempre contra alguém ou contra alguma coisa. E lá em casa só havia dois tipos de pessoas, ou os filhos, ou o marido. O mais provável é que elas se pusessem contra o marido. Todas as noites, todos os dias, durante o dia no Parlamento, à noite com o marido: 'Porque tu é que tens a culpa disto!'. Com o tempo ia-me pôr fora de casa... e eu saía! E eu saía! E estou a imaginar o sentimento de alívio que sentiria nesse dia. 'Estou livre! Estou livre dela!'"

 

Uma semana depois, ainda ao Porto Canal, usou argumentos arrojados contra a adopção gay. "Eu sou um homem. Tenho órgãos genitais de homem: pénis, testículos, etc. Não fui eu que os fiz. A minha mãe já faleceu, mas posso facilmente imaginar-me a perguntar à minha mãe: ‘Olha, tu sabes fazer pénis?’. E estou a ouvir a resposta, naquele jeito muito peculiar: ‘Oh filho, eu sei lá fazer uma coisa destas’. Ela fez quatro. Mas não sabe fazer pénis", garantiu o filho.

 

Então quem é que fez os órgãos genitais de Pedro Arroja? "Foi Deus." Para o economista, apenas a adopção de crianças por casais heterossexuais é que são capazes de corporizar uma "sociedade viável".

 

Ainda sobre declarações polémicas de Pedro Arroja, registe-se que, a 12 de Junho passado, o economista foi condenado a uma multa de quatro mil euros e a indemnizar em cinco mil euros uma sociedade de advogados por comentários proferidos acerca desta durante um programa de televisão.

 

Em causa estão comentários, datados de Maio de 2015, no Porto Canal, a propósito de um trabalho jurídico sobre a construção da nova ala pediátrica do Hospital de São João, no Porto, obra pela qual Arroja tem dado a cara enquanto presidente da associação "Um Lugar para o Joãozinho".

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