Imobiliário Imobiliário português estarrecido com quebra de vistos “gold”

Imobiliário português estarrecido com quebra de vistos “gold”

A confederação do imobiliário e a associação dos mediadores do sector manifestam-se bastante preocupadas com a grande quebra registada no programa de vistos “gold” em Janeiro. Dizem que é “um péssimo sinal para o mercado e para a sustentabilidade” deste instrumento.
Imobiliário português estarrecido com quebra de vistos “gold”
Bruno Simão
Rui Neves 11 de fevereiro de 2016 às 19:34

O sector português do imobiliário mostra-se apreensivo com os últimos números do programa de vistos "gold", que dão conta da captação de apenas 39 milhões de euros de investimento estrangeiro no primeiro mês deste ano, menos 38,6 milhões do que no mês anterior, em resultado da atribuição de apenas 60 autorizações de residência em Janeiro, menos 30 do que em Dezembro.

"Este decréscimo é um péssimo sinal para o mercado e para a sustentabilidade deste programa. Este tipo de quebras dá aos potenciais investidores, uma imagem de ineficácia do programa que põe em causa a sua credibilidade", reagiu Luís Lima, presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), em comunicado.

 

Para este dirigente associativo, "o processo de atribuição de vistos continua estagnado e, infelizmente, a sua normalização parece não estar em vista. O país, as autarquias e os agentes de mercado continuam a perder este investimento que tanta falta faz, sem se perceber porque motivo", lamentou.

 

Já a Confederação Portuguesa da Construção e do Imobiliário (CPCI) considera que o registo mensal negativo, em Janeiro, dos montantes de investimento captado por este programa "tem de ser rapidamente encarado como um sinal de alerta, evidenciando que é necessário fazer muito mais para preservar um programa que, não só, revelou excelentes resultados, como, a par do Regime de Tributação de Residentes Não Habituais, permitiu colocar o nosso país no radar do investimento estrangeiro em imobiliário".

 

Perante a evolução preocupante deste programa, a confederação liderada por Reis Campos volta a reafirmar "a necessidade de garantir a confiança dos investidores, assente num quadro regulamentar sólido, com prazos de concessão e de renovação de vistos rigorosamente cumpridos pelas entidades competentes, dotadas de meios funcionais ajustados a um programa que já superou largamente os 120 milhões de euros em receitas directas para o Estado".

 

Recordando que Portugal "continua a dispor de condições de excelência para atrair os investidores estrangeiros", a CPCI "renova o apelo a um esforço por parte do Governo, no sentido de acompanhar o potencial imenso que o imobiliário português apresenta à escala global, evitando a fuga dos investidores para outros destinos, promovendo o país junto de um conjunto alargado de mercados externos".

 

O presidente da APEMIP considera urgente que "este procedimento normalize de uma vez por todas", denunciando que "continua a haver centenas de processos a aguardar despacho" pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF).

 

"E enquanto os investidores esperam e desesperam, a imagem da nossa credibilidade é constantemente fustigada além-fronteiras, e os potenciais clientes passam a olhar para nós com uma desconfiança que não será retomada, optando por outros países com programas similares", alerta Luís Lima.

 

Num tom bastante duro, o representante das imobiliárias conclui: "Ou assumimos a manutenção de um programa a funcionar em condições, ou mais vale acabar com ele e bloquear já a má imagem que estamos a passar para o exterior."




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