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Novo imposto sobre imóveis é “assustador” para os investidores estrangeiros

Reunidos numa conferência do sector no Estoril, os investidores mostram-se “desconfortáveis” com a proposta conjunta do Governo e Bloco de Esquerda para um novo imposto para património imobiliário acima dos 500 mil euros.

Miguel Baltazar/Negócios
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 21 de Setembro de 2016 às 15:52
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Paulo Taylor, presidente da Vilamoura World, não tem outro adjectivo. O novo imposto sobre o património imobiliário acima dos 500 mil euros, que ainda não passa de uma proposta, "é assustador". Repetiu-o algumas vezes.

Embora escolhendo outros adjectivos, foram muitos os agentes e investidores da área imobiliária a concordar com o líder do "resort" algarvio. Todos eles reunidos no "Portugal Real Estate Summit", a ter lugar no Estoril esta quarta-feira, 21 de Setembro. A conferência, marcada há vários meses, acabou por integrar o tema na sua agenda.


A questão foi colocada pelo Negócios a um painel que discutia a situação do investimento imobiliário em Portugal. Paulo Taylor, que neste momento está a "vender [propriedades] e a desenvolver" o projecto em Vilamoura, diz ter jantando no dia anterior com o primeiro-ministro António Costa e "não ter gostado da resposta" do político sobre o assunto. "Taxa-se quem tiver piscinas, vistas…", lamentou.


No mesmo sentido segue o líder dos investimentos imobiliários da Fidelidade, detida pelos chineses da Fosun. Miguel Santana, recuperando as declarações ex-ministro das Finanças Fernando Teixeira dos Santos no dia anterior, pede para que não se mate a "galinha dos ovos de ouro". "Algo virá. Queremos estabilidade e não estamos a ter", afirmou o gestor no Estoril. Sobre o potencial novo imposto acrescentou ainda: "é algo com que estamos muito desconfortáveis".


Miguel Santana recorda que a Fidelidade, enquanto investidora "a longo prazo", está focada na melhoria de activos de que já é dona. No portefólio há muitos activos residenciais, sobretudo em Lisboa, Porto e Évora. O gestor deixa outra certeza, até com este novo imposto: "Estamos a comprar".


Mesmo quem ainda não investe em Portugal não vê com bons olhos a proposta conjunto do Governo e Bloco de Esquerda. É o caso de Jasie Leekha, da GreenOak Real, que lembra que "introduzir taxas é negativo" seja em que contexto for. "Não queremos ter um ambiente instável em termos fiscais", reforça o responsável. A empresa ainda não fez abordagens ao mercado português, já que a prioridade transmitida aos investidores passava pelo investimento em Espanha. O maior interesse está nos escritórios, edifícios de logística e retalho.

Como avançou o Negócios na semana passada, o novo imposto sobre património imobiliário correrá em paralelo com o IMI, será progressivo e deixará de fora patrimónios globais abaixo dos 500 mil euros de valor patrimonial tributário. A proposta constará no Orçamento do Estado para 2017.

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