Imobiliário Porto com mais 2.600 casas à vista e apenas 16% de compradores estrangeiros

Porto com mais 2.600 casas à vista e apenas 16% de compradores estrangeiros

No mercado residencial da Invicta, onde a zona do Centro concentra 85% do investimento estrangeiro na cidade, o valor médio por metro quadrado é de 3.617 euros, com mais de um terço da oferta de T1, indica um estudo da promotora imobiliária Avenue.
Porto com mais 2.600 casas à vista e apenas 16% de compradores estrangeiros
Rui Neves 04 de julho de 2019 às 10:30

A maior parte dos compradores de casas no Porto são portugueses, com o mercado residencial da cidade a captar apenas 16% de estrangeiros, revela um estudo da promotora imobiliária Avenue, que será apresentado esta quinta-feira, 4 de julho, na Alfândega do Porto.

 

Intitulado "Mercado Residencial no Porto", o estudo concluiu, por exemplo, que o valor médio por metro quadrado na cidade é de 3.617 euros, com maior incidência de oferta de T1 - cerca de 35% das habitações têm esta tipologia, seguida de T2 (23%) e T0 (22%).

 

Com base num levantamento exaustivo da oferta dos últimos três anos, com 247 empreendimentos analisados, num total de 2.871 frações, em cinco zonas diferentes da cidade, o estudo registou que é o centro do Porto que concentra mais oferta de complexos residenciais (47%) e 85% de todo o investimento estrangeiro na Invicta.

 

O coração da cidade, circundante à Avenida dos Aliados, apresenta o valor médio mais elevado, com 4.977 euros o metro quadrado, seguido da zona ocidental do concelho com um preço médio de 4.970 euros, e da "Riverside" (frente ribeirinha) com 4.203 euros.

 

"Estamos a assistir ao alargamento do centro de gravidade do segmento alto da Foz para o Centro e para a Riverside. Estas zonas mais caras ganharam novo dinamismo porque se reinventaram", conclui Aniceto Viegas, diretor geral da Avenue, que considera que "o Innovation District é a zona emergente de destaque que poderá dar uma resposta adequada à procura futura", lembrando que esta "é também uma das zonas prioritárias de desenvolvimento da Câmara Municipal do Porto".

 

Por outro lado, este estudo "permite concluir que o mercado residencial do Porto ainda tem muita capacidade de crescimento, porque até agora foram os compradores nacionais quem mais se destacaram. Novas linhas áreas impulsionarão este crescimento", avança João Nuno Magalhães, diretor geral da Predibisa, a consultora imobiliária que colaborou na realização deste estudo, que contou também com o apoio da autarquia portuense.

 

Habitação de luxo no Porto alargou da Foz para o Centro

 

Escalpelizando o estudo, verifica-se que o centro da cidade é a zona que concentra mais empreendimentos residenciais do Porto, com 117 para oferta e maior concentração na zona da Cedofeita.

 

O Centro marca um preço médio apenas 6,5% acima da média da cidade (3.852 euros o metro quadrado). "No entanto, é também aqui que se concentra o maior número de microzonas, sendo estas 38% mais caras que o preço médio do resto da cidade: registam uma média de 4.977 euros o metro quadrado", detalha o estudo.

 

Cerca de 9% dos empreendimentos do Porto são localizados na chamada zona "Riverside", o que coloca esta área como "uma nova zona de desenvolvimento, que liga o Centro à Zona Ocidental", sendo a que apresenta o segundo valor médio de venda mais elevado, com o preço médio 16% mais alto que a média da cidade.

 

Já a zona oriental dispõe de 17% da oferta total de empreendimentos, a um preço de venda de 3.043 euros o metro quadrado, 16% abaixo do valor de referência. Aqui destaca-se o Bonfim, que representa 71% desta amostra.

 

A zona ocidental da cidade é a que apresenta o valor médio de venda por metro quadrado mais elevado, registando uma média de 4.790 euros, cerca de 32% acima do valor de referência.

 

"Aqui encontra-se 17% da oferta da cidade e é onde estão localizados os empreendimentos de melhor qualidade (74% de categoria A) e com a maior oferta de tipologia T4", destaca o estudo, apontando a microzona da Foz como a mais cara desta zona (com uma média de 5.526 euros o metro quadrado), sendo também aqui que se encontra 65% da oferta desta zona.

 

O Innovation District representa 13% da oferta da Invicta e tem um preço médio de 2.725 euros o metro quadrado, caracterizando-se por deter maioritariamente empreendimentos de grandes dimensões, com uma média de 25 frações, "e será a zona que terá a maior oferta no futuro", aponta o estudo.

 

Perto de 100 empreendimentos com 2.600 casas no "pipeline"

Em relação às perspetivas de evolução do mercado, os promotores deste estudo identificaram 95 empreendimentos na cidade, com perto de 190 mil metros quadrados de área de construção, que estão no "pipeline" para os próximos anos e que "irão manter a dinâmica do setor imobiliário residencial do Porto".

 

O estudo prevê que, no período 2020 a 2022, com a construção destes 95 empreendimentos (34% em 2020, 42% em 2021 e 24% em 2022), deverão estar no mercado aproximadamente 2.600 frações, "mantendo assim uma oferta em linha com os anos anteriores".

 

"As zonas Innovation District e Centro são as que antecipamos que apresentem mais perspetivas de dinamização do mercado. Fruto do plano estratégico da cidade, concretamente de revitalização e reabilitação destas duas zonas concretas da urbe, vamos assistir a um maior vigor no desenvolvimento do património privado e público. Em termos de fogos, a Innovation District terá 40% da oferta futura e o Centro 25%", conclui Aniceto Viegas.

 

Para a zona Innovation District prevê-se a maior área de construção - mais de 65 mil metros quadrados - e uma oferta de preço mais orientada para os compradores nacionais.

 

O Porto Innovation District é uma iniciativa entre a Câmara Municipal do Porto e as universidades, faculdades, escolas de negócios, hospitais, institutos e centros de pesquisa para a promoção da inovação, do empreendedorismo e do investimento na Invicta.

 

Já o Centro, remata o estudo, continuará a concentrar o maior número de empreendimentos em fase de desenvolvimento, ou seja, com menos fogos por empreendimento, com oferta prevista para os próximos três anos.




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