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Responsável do BES refere nova data para aquisição da Vallis

A data de aquisição da Vallis, uma das sociedades oferentes da OPA hostil lançada pela família Mota em Julho de 1999, foi, ontem, mais um motivo de contradições e de omissões no processo que Carlos Pinto Magalhães é arguido por alegado "insider trading".

Nuno Miguel Silva nmsilva@mediafin.pt 24 de Outubro de 2003 às 07:47
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A data de aquisição da Vallis, uma das sociedades oferentes da OPA hostil lançada pela família Mota em Julho de 1999, foi, ontem, mais um motivo de contradições e de omissões no processo que Carlos Pinto Magalhães é arguido por alegado "insider trading".

Paulo Martins, responsável do BESI - Banco Espírito Santo de Investimento pela área de fusões e de aquisições, no final da quarta sessão de julgamento, disse diversas vezes perante o tribunal que "a escolha das sociedades oferentes" e a "sua aquisição" foi decidida e efectuada "dois ou três dias antes" do dia do lançamento da OPA sobre a Engil, com a publicação do anúncio preliminar da operação, a 23 de Julho de 1999.

Paulo Martins considerou ainda que "esta foi uma das OPA mais longas e mais lentas" a que já assistiu.

Estas declarações colocam a decisão de adquirir a Vallis e a Algosi, as duas sociedades oferentes utilizadas nesta OPA entre os dias 21 e 22 de Julho de 1999. Face à insistência do delegado do Ministério Público, questionando Paulo Martins sobre se não estaria enganado nas datas e se a "aquisição da Vallis não terá sido 10 dias antes", o responsável do BESI foi muito taxativo, ao reafirmar que "não acredito que tenham sido compradas dez dias antes".

As afirmações de Paulo Martins, um dos poucos elementos que as testemunhas de defesa dizem ter tido conhecimento prévio do lançamento da OPA, destoam por completo dos anteriores testemunhos já ouvidos sobre o mesmo assunto. Na sessão anterior, Maria Teresa Mota, irmã da família Mota, disse que a opção de avançar para a OPA foi "a conselho dos advogados".

Maria Teresa Mota disse ainda que entre a decisão dos quatro irmãos Mota (e respectivos cônjuges) de avançar com a OPA e o anúncio preliminar deverão ter ocorrido deverão "ter decorrido oito a dez dias".

No seu entender, a primeira reunião, em Lisboa, com o BES, foi efectuada a 10 ou 11 de Julho, altura "em que o próprio banco preparou duas empresas inactivas", enquanto um outro advogado ligado à família (António Natário), por seu turno, de preparar outras empresas-veículo que servissem para o efeito, sem activos nem passivos.

Também ouvido nessa sessão, o anterior dono da Vallis apresenta uma terceira data para a venda da empresa, situando a cedência da sua anterior empresa à família Mota, em Maio ou Junho de 1999. Esta questão é realçada pelo delegado pelo Ministério Público para provar que a operação foi feita com maior antecedência e dando acesso de informação da mesma a mais intervenientes que os reconhecidos pelas testemunhas de defesa de Carlos Pinto Magalhães.

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