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A Bayer vai livrar-se da "dor de cabeça" chamada Monsanto?

A Bayer, criadora da aspirina, poderá ter de lidar com uma nova crise reputacional devido à compra da Monsanto, o maior negócio do ano. Herbicidas e sementes geneticamente modificadas são focos de pressão sobre a marca histórica, que poderá acabar por cair.

Bloomberg
Wilson Ledo wilsonledo@negocios.pt 20 de Setembro de 2016 às 20:20
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O maior negócio do ano pode transformar-se numa "dor de cabeça" para a reputação da Bayer. Na compra da Monsanto por 66 mil milhões de dólares – cerca de 59  mil milhões de euros – a aspirina pode não ser suficiente. A farmacêutica alemã, para evitar problemas de reputação, está a estudar deixar cair a marca Monsanto. Foi isso que escreveu a agência Bloomberg esta terça-feira, 20 de Setembro, citando fontes ligadas ao processo.

A Bayer – considerada uma das marcas farmacêuticas mais conceituadas do mundo pelo Reputation Institute – terá ainda muito tempo para tomar a decisão. A compra não estará fechada antes do final de 2017, até porque há exigências de concorrência de 30 países a ter em conta.

Certo é que a alemã não quer herdar as polémicas da Monsanto. Esta é conhecida pelos seus herbicidas – o mais polémico, o "agente laranja", utilizado na Guerra do Vietname – e pelas sementes geneticamente modificadas. São frequentes os grupos ambientalistas a contestar estas actividades.

O protesto ganhou maior destaque depois de anunciada a fusão. As vozes críticas vieram dizer que o negócio vai inflacionar os preços para os agricultores e aumentar a presença de sementes geneticamente modificadas no mercado. As empresas dizem que é exactamente o contrário, através de um aumento da produção que responderá às necessidades provocadas pelo crescimento da população mundial.

"Bayer CropScience" é apontado como o novo nome. Em entrevista à Bloomberg na semana passada, o CEO da Monsanto, Hugh Grant, mostrou-se aberto à mudança. " A chave não está tanto no nome mas nos produtos desenvolvidos", justificou. Com o negócio, a Bayer passa a ter acesso a mais duas mil variedades de sementes.

A controvérsia não é, aliás, um tema novo para a Bayer. Em 2011, a farmacêutica alemã pagou 750 milhões de dólares (670 milhões de euros) para fechar processos judiciais que alegavam que o seu arroz geneticamente modificado contaminou outras culturas. A Bayer não admitiu a culpa e optou por esta via para evitar mais contestação.

No ano seguinte, durante um encontro de accionistas da Bayer em Colónia, activistas ambientais da Greenpace invadiram o espaço acusando a empresa de matar abelhas com o seu pesticida. A farmacêutica respondeu, convocando outros fenómenos para explicar as mortes daquela espécie animal.
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