Indústria Agatha Ruiz de la Prada: "Portugal pode atingir em breve uma época dourada no têxtil"

Agatha Ruiz de la Prada: "Portugal pode atingir em breve uma época dourada no têxtil"

A designer Agatha Ruiz de la Prada defendeu hoje, em Santo Tirso, que Portugal "em breve poderá atingir uma nova época dourada na área do têxtil", sendo a "internacionalização" e a "distribuição" os segredos para o sucesso.
Lusa 19 de dezembro de 2013 às 20:53

"Portugal poderá, em breve, atingir uma nova época dourada na área têxtil, exactamente através do design e da moda. É importante produzir em sítios de confiança e Portugal é de confiança. Portugal está no bom momento para a criatividade", disse Agatha Ruiz de la Prada, no encerramento da inauguração da IMOD - Incubadora de Moda e Design de Santo Tirso.

 

Perante uma assistência composta por criadores nacionais já com nome no mercado e de novos talentos, Agatha Ruiz de la Prada contou que 90% da produção da sua marca é feita em Portugal, país que escolheu por "confiar" na qualidade do produto final apresentado. Nessa percentagem de 90%, destacam-se as linhas de moda para criança, mulher e casa.

 

Questionada sobre qual o elemento que considera mais importante para o sucesso na área do design e da moda, Ruiz de la Prada destacou a internacionalização da marca, mas vincou ser "fundamental" que o próprio país "conheça e reconheça" os seus criadores. E, contrariando um pouco os lamentos dos oradores de um painel anterior - composto por nomes nacionais - a designer espanhola vincou como "importante" ter "um bom distribuidor" e não apenas a aposta na comunicação.

 

"Mais do que a comunicação, penso que a chave está na distribuição. Eu tive a sorte de trabalhar cedo com um grupo forte em Espanha, o El Corte Inglês. Nunca me desliguei de marcas fortes apesar de ter aberto, mais tarde, lojas próprias e de ter enveredado por outros projectos", contou a criadora internacional.

 

Agatha Ruiz de la Prada tem, actualmente, seis lojas exclusivas da sua marca localizadas em Madrid e Barcelona (Espanha), Paris (França), Porto (Portugal), Milão (Itália) e Nova Iorque (EUA). As suas criações estão, também, disponíveis em lojas multimarca em mais de 150 países.

 

Antes, no painel "O Design é Fator Dinamizador e Valorizador da Indústria de Moda?" a coordenadora do curso de Design Moda da Escola Superior de Artes e Design, Maria Gambina lamentava a ausência, em Portugal, de revistas especializadas nesta área. Ideia partilhada pela designer de moda Katty Xiomara, que considerou existir, neste âmbito, uma "lacuna grande dentro do jornalismo nacional".

 

Sobre comprar o que é português, Katty Xiomara disse acreditar que "talvez a palavra 'crise' tenha impulsionado uma mudança de hábitos". "Antes comprar internacional era algo prestigiante. Hoje a ideia 'compre o que é nosso' está a generalizar-se e ouve-se 'vamos comprar português para ajudar o país'. Sim, Portugal precisa, mas mais importante é a convicção de que a moda e o design portugueses têm qualidade e, se calhar, até preços mais acessíveis", disse Katty Xiomara.

 

Já o presidente da Associação Polo de Competitividade da Moda, João Costa, valorizou o percurso de Portugal nos últimos 20 anos, defendendo que a imagem de qualidade dos produtos portugueses e a sua aceitação "é bem diferente face ao passado", embora ache que "há mais valorização a nível internacional do que nacional".

 

A IMOD, incubadora localizada na Fábrica de Santo Thyrso, conta, desde hoje, com seis projectos de jovens criadores portugueses, de um total de 52 candidaturas.




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