Indústria Dona da Zara com mais fabricantes e menos empregos em Portugal

Dona da Zara com mais fabricantes e menos empregos em Portugal

Mais encomendas à indústria, mas menos trabalhadores no comércio. O número de fornecedores portugueses de roupa para a Inditex aumentou 35% no ano passado, quando reduziu em 415 a quantidade de postos de trabalho directos do grupo em Portugal.
Dona da Zara com mais fabricantes e menos empregos em Portugal
Bloomberg
António Larguesa 12 de junho de 2013 às 18:21

São cada vez mais as fábricas portuguesas que trabalham com o grupo que detém marcas como a Zara, Pull&Bear ou Massimo Dutti. No ano passado, o número de produtores nacionais aumentou 35% face ao ano anterior, para um total de 394, acentuando assim a tendência registada de 2010 para 2011, quando a quantidade de fabricantes já tinha subido 29%.

 

Os dados relativos aos fornecedores constam do relatório “memoria anual 2012”, publicado esta quarta-feira, que mostra que, entre os nove “clusters” que asseguram 87% da produção total, apenas a Turquia, Bangladesh e China aumentaram também o número de fabricantes. No entanto, só o gigante asiático é que tem mais indústrias a produzir roupa para o grupo espanhol.

 

Estas 394 empresas portuguesas estão associadas a 139 fornecedores nacionais de primeira linha – menos dez do que no ano anterior –, a quem a Inditex encomenda as peças de têxtil e vestuário para as suas oito marcas. O grupo galego, que abriu em 1988 no Porto a primeira loja (Zara) fora de Espanha, fez ainda as contas ao número de empregados que integram os quadros dos fabricantes portugueses: 20.919 pessoas, contra 15.678 em 2011.

 

No documento que faz o “Raio-X” à cadeia produtiva, consultado pelo Negócios, a Inditex garante que foram feitas em Portugal 28 visitas de avaliação prévia a fábricas, 35 visitas de capacitação “para assegurar o cumprimento do Código de Conduta de Fabricantes e Fornecedores” e que foi dada formação a sete auditores em metodologia de auditorias sociais da empresa.

 

Em Abril, durante um encontro com jornalistas portugueses na sede da empresa, na Corunha, o director de comunicação da Inditex, Jesús Echevarría, adiantou que Espanha, Portugal e Marrocos são responsáveis pelo "aprovisionamento de proximidade", que representa 51% do volume total de 970 milhões de peças produzidas anualmente. Deste lote da produção, quase um terço vem de fábricas portuguesas. "É um terço importante, sobretudo de peças de qualidade. A moda, em que as séries de produção são curtas, é a nossa fatia mais importante", sustentou.

 

Mais lojas, menos trabalhadores

 

No plano comercial, a 31 de Janeiro deste ano o gigante retalhista de vestuário tinha 348 lojas abertas em Portugal, mais quatro do que há um ano, sendo que só Espanha e China têm mais estabelecimentos num total de 86 países. O portefolio do grupo em território nacional inclui 62 lojas Zara, 19 da Zara Kids, 62 da Pull & Bear, 43 da Massimo Dutti, 49 da Bershka, 43 da Stradivarius, 36 da Oysho, 27 da Zara Home e 7 da Uterqüe.

 

Apesar de ter reforçado o número de lojas, no ano passado a Inditex encolheu em 415 o número de trabalhadores em Portugal – só em Espanha, França e Rússia têm mais empregados –, passando assim a empregar 5.562 pessoas. No fecho do ano, o “império” que Amancio Ortega começou a construir em 1963 numa garagem galega empregava um total de 120.314 pessoas em todo o mundo.

 

A facturação consolidada do grupo ascendeu a 15.946 milhões de euros em 2012, mais 16% do que no período homólogo, tendo os lucros aumentado 22%, para 2.361 milhões de euros. Já a informação relativa ao primeiro trimestre fiscal de 2013, terminado em Abril, disponibilizada esta quarta-feira pela empresa, mostraram um aumento de 1,6% do resultado líquido para 438 milhões de euros, que representam a menor subida dos lucros da retalhista espanhola nos últimos quatro anos.




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