Indústria Portucel lamenta ter de plantar eucaliptos em Moçambique em vez de Portugal

Portucel lamenta ter de plantar eucaliptos em Moçambique em vez de Portugal

O presidente do grupo Portucel-Soporcel disse esta terça-feira que o megaprojecto florestal de 2,5 mil milhões de dólares (2,2 mil milhões de euros) em Moçambique podia ter acontecido em Portugal, se não houvesse resistências à plantação de eucaliptos.
Lusa 08 de setembro de 2015 às 11:22

"Só tenho pena que tenhamos de vir para tão longe quando isto até podia ter sido feito em Portugal se houvesse mais eucalipto", declarou Pedro Queiroz Pereira, no distrito de Ile, província da Zambézia, à Lusa, à margem da inauguração do maior viveiro de plantas em África, e que vai abastecer a futura fábrica de pasta de papel no centro de Moçambique.

 

"Por respeito com aqueles que entendem combater uma plantação que é vital para este tipo de empreendimentos, acabámos por cair em Moçambique e achamos que para eles vai ser muito importante", afirmou o investidor, salientando a perspectiva de mil milhões de dólares (890 milhões de euros) anuais em exportações de celulose, a partir do momento em que a fábrica estiver operacional, em 2023.

 

Queiroz Pereira considerou que, "em Portugal, há uma tendência para criticar o eucalipto, é difícil plantar, mesmo que exista, é complicado" e observou que já há fábricas a importarem árvores para poderem produzir.

 

"Aqui [em Moçambique] estamos a fazer uma base florestal com toda a gente a favor, não seria o caso em Portugal. Vai ser importante para a balança comercial [moçambicana] e as coisas têm condições para correr melhor", referiu o presidente do grupo Portucel-Soporcel, comentando que "todos os países do mundo procuram atrair investimento para fazer os crescer níveis de desenvolvimento do seu povo e uns criam mais, outros menos".

 

O presidente do grupo destacou que o projecto florestal em Moçambique, ao longo de cerca de 350 mil hectares nas províncias da Zambézia e de Manica, "é muito grande e vai representar, numa só fábrica, mais ou menos o mesmo que a celulose produzida em Portugal".

 

Para já, não está prevista a produção de papel, "isso ficará para uma segunda volta", mas o presidente da empresa entende que se está a fazer "uma nova Portucel em Moçambique", reconhecendo os riscos inerentes à circunstância de o valor do investimento, um dos maiores fora do sector extractivo no país, se aproximar do total da capitalização bolsista do grupo.

 

"Os empresários correm riscos e a empresas têm de correr riscos, porque senão não progridem", sustentou.

 

Pedro Queiroz Pereira referiu que existe uma grande apetência por celulose na Índia e noutros mercados asiáticos e que a cotação internacional deste produto se encontra "em níveis muito satisfatórios", havendo a perspectiva de que, nos próximos anos, "o crescimento da demanda absorva toda a produção de pasta por esse mundo fora".

 

O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, é esperado hoje em Luá, no interior da província da Zambézia, para inaugurar o viveiro da Portucel que vai alimentar o megaprojecto florestal e que inclui também uma unidade de produção de energia através de biomassa.

 

Estima-se que o viveiro, o mais moderno do grupo, tenha uma capacidade de produção de 12 milhões de plantas por ano, num projecto dirigido pela Portucel Moçambique, com uma participação de 20% do International Finance Corporation, do Banco Mundial.

 

Na cerimónia de inauguração, são também esperados os ministros moçambicanos da Agricultura e Segurança Alimentar, José Pacheco, e da Terra, Desenvolvimento Rural e Ambiente, Celso Correia.

 

Segundo a empresa, foram respeitadas todas as normas ambientais num projecto que prevê um conceito de mosaico, em que um terço da área será destinado às actividades tradicionais das comunidades locais, num investimento que espera criar sete mil postos de trabalho.

 




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