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Portuguesa Frulact vendida a donos franceses de autoestradas nacionais

A família Miranda, que construiu um dos cinco maiores fabricantes mundiais de preparados à base de fruta para a indústria alimentar, com nove fábricas em três continentes, vendeu a maiata Frulact ao mega fundo Ardian, que detém a rede Ascendi e é candidata à compra da Brisa.

A família Miranda, dona da Frulact, que é presidida pelo seu acionista maioritário, João Miranda, vendeu o grupo sediado na Maia ao mega fundo francês Ardian. Correio da Manhã
Rui Neves ruineves@negocios.pt 15 de Janeiro de 2020 às 17:05
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Mais de 30 anos depois de Arménio Miranda e os seus dois filhos terem fundado a Frulact literalmente no fundo do quintal da sua moradia, em Lavra, Matosinhos, tendo construído um dos cinco maiores fabricantes mundiais de preparados à base de fruta para a indústria alimentar, com nove fábricas em três continentes (Europa, África e América do Norte), mais de 750 trabalhadores e uma faturação de 115 milhões de euros, a família Miranda vendeu o grupo à Ardian, mega fundo baseado em Paris.

 

"Junto-me a todos os ‘frulacteanos’ para dar as boas-vindas à Ardian e começar este novo capítulo da Frulact", começa por afirmar, em comunicado, João Miranda, o presidente e até há pouco acionista maioritário do grupo sediado na Maia, sem revelar o valor do negócio.

 

"Estamos muito satisfeitos com este acordo e parceria, uma vez que a Ardian trará recursos financeiros e estratégicos consideráveis para impulsionar a Frulact a tornar-se uma plataforma forte, que irá agregar e integrar outros negócios contíguos na indústria dos ingredientes de valor acrescentado e, consequentemente, consolidar o projeto Frulact, apoiado no nosso capital humano, permitindo que a empresa explore uma pegada global sustentável", garante o mesmo empresário, que vai agora assumir o cargo de chairman do grupo, enquanto o atual CFO, Duarte Faria, vai ocupar a cadeira de CEO.

 

João Miranda realça precisamente que "a Frulact continuará a operar como até agora, com esta equipa de gestão", desenvolvendo o seu "crescimento, inovação e estratégia de sustentabilidade a partir da sede em Portugal, permitindo que a empresa dê o próximo passo no seu desenvolvimento" e atinja as suas "ambiciosas expectativas de um futuro brilhante".

 

A Ardian compromete-se em "apoiar a equipa de gestão da Frulact para acelerar o plano estratégico e consolidar a posição do grupo como um dos líderes globais na indústria alimentar", manifestado também o seu apoio às "atividades já em curso e fortalecendo as competências da Frulact em nichos e ingredientes adjacentes ao negócio".

 

Por outro lado, enfatiza-se "o conhecimento profundo" da Ardian sobre a indústria de ingredientes alimentares, a sua rede global e o apoio que pode oferecer enquanto uma das principais sociedades de investimento internacionais. Uma posição que, afiançam ambas as partes, fazem da Ardian "a melhor parceira para identificar e promover oportunidades de crescimento que permitam transformar a Frulact num líder global".

 

Exportadora de 97,5% da sua produção, a Frulact apresenta-se como uma fabricante inovadora de ingredientes naturais criados a partir de frutas e plantas para a indústria alimentar e de bebidas.

 

A empresa conta com um vasto portefólio de produtos baseados em preparados de fruta e vegetais para laticínios, gelados, sobremesas, bebidas, aromatizantes e ingredientes alternativos à base de plantas.

 

Ardian é dona da segunda maior rede de autoestradas em Portugal

 

Gonzalo Fernandez-Albiñana, líder da Ardian Buyout Espanha e conselheiro da Ardian França, sublinha precisamente que "a Frulact e a sua equipa de gestão têm os conhecimentos, competências e ambição para transformar a empresa num dos líderes globais de fornecimento de ingredientes alimentares naturais, expandindo as respetivas competências e alcance geográfico".

 

Já Philippe Poletti, líder da Ardian França, considera que "esta transação é um exemplo perfeito da especialização da Ardian no apoio à transformação e crescimento de projetos em indústrias cujo funcionamento dominamos, ao mesmo tempo que mantemos o legado do que foi criado pela família Miranda".

 

"A nossa experiência a apoiar empresas na entrada em novos territórios, combinada com o nosso conhecimento e respeito pela tradição e valores das empresas familiares tornam a Ardian num parceiro ideal para este tipo de operações", defende Poletti.

 

A Frulact foi o primeiro investimento da equipa da Ardian Buyout este ano.

 

Com 50 trabalhadores em sete escritórios na Europa e em Nova Iorque, a equipa de "buyout", refere a Ardian, investe em empresas de valor médio e alto com elevada qualidade de forma a transformá-las em líderes globais nos respetivos nichos de mercado.

 

Em Portugal, a Ardian é dona da rede Ascendi, a segunda maior rede de autoestradas em Portugal (Grande Lisboa, Grande Porto, concessão Norte, Costa da Prata, Beiras Litoral e Alta, Interior Norte e Pinhal Interior), a seguir à Brisa, com 850 quilómetros ao longo de sete vias portajadas, sendo uma das candidatas à compra dos 80% do capital da concessionária rodoviária líder no nosso país, que foram colocados à venda pelos Mello e o fundo Arcus.   

 

Fundada em 1996, a Ardian, que teve a sua origem no universo Axa, é uma sociedade independente de investimento que gere ativos no valor de cerca de 96 mil milhões de dólares (86,2 mil milhões de euros) na Europa, América e Ásia.

 

Detida maioritariamente pelos seus trabalhadores, conta com mais de 640 que trabalham a partir de 15 escritórios neste três continentes, a Ardian garante gerir fundos em representação de mais de mil clientes.

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